Dilma, o poder e o exemplo de Einstein – por Nonato Bandeira

ARTIGO - O físico Albert Einstein dizia que "Exemplo não é uma outra maneira de ensinar. É a única maneira de ensinar.” Na política, c...

ARTIGO - O físico Albert Einstein dizia que "Exemplo não é uma outra maneira de ensinar. É a única maneira de ensinar.” Na política, como na vida, não existe método mais eficaz que a pedagogia. E exemplos históricos servem para aprendermos com erros e acertos do passado. Hoje, vivemos mais um capítulo delicado desses 516 anos de Brasil. Se deixarmos de dar exemplos claros às futuras gerações, não estaremos ensinando absolutamente nada, além de comprometermos nossa própria história, que temos a obrigação de escrever.

O momento atual não é apenas de tomar posição. É de dar exemplos. Exemplos que vieram das ruas e devem chegar às cortes da justiça, ao parlamento em Brasília. Normas de conduta dentro da norma maior, a Constituição Federal.

Tenho absoluta convicção de que se a presidente Dilma Rousseff não for afastada do cargo por vias legais (cassação da chapa eleita, impeachment ou renúncia) daremos péssimo exemplo de como deve proceder a República no Brasil. Se este projeto de poder continuar assinaremos cheque político em branco e adotaremos a permissividade como regra geral. E tudo, tudo mesmo será permitido para conquistar e, sobretudo, manter-se no poder neste país. 

As instituições democráticas servirão apenas como instrumento de retórica e poderão, a qualquer momento, serem confrontadas, achincalhadas e humilhadas por quem acha-se acima da lei, pelo fato de ter sido eleita(o) para conduzir os destinos de uma nação. "Como se investidura signifique exercício do cargo", lembrado oportunamente por um ex-presidente do STF.

Se o Governo atual manter-se, os nossos jovens, estudantes, professores, advogados e operadores do Direito jamais respeitarão o STF, o STJ, as supremas cortes. No vocabulário do ex-presidente Lula, lugares de homens e mulheres "acovardados". Quer dizer, sem moral pra julgar não apenas alguém com foro privilegiado, mas qualquer cidadão brasileiro.

Dilma não sofrendo impeachment ou cassação no TSE será permitido supor que temos um país de golpistas derrotados. Que a OAB é golpista, idem o Ministério Público, os juízes federais, TCU, Polícia Federal e até "um ingrato" Procurador Geral da União, nomeado pela própria presidente.

Um milhão, dois milhões, cinco, seis milhões de pessoas saírem de amarelo em um domingo nas ruas, não para comemorar vitória em final de Copa do Mundo, mas para protestar contra um Governo e o seu partido. Tudo isso não vale nada se este governo e o seu partido continuarem mandando no país.

Do que adiantará a falsa ideia de que temos imprensa livre. Um bando de conspiradores, golpistas capitaneados por uma emissora de TV que insiste em noticiar o andamento de uma operação lava-jato, "criada para desestabilizar a nação" e responsável até pela terrível crise econômica que atravessamos. É a imagem que ficará para a história se uma nação perder para um único partido.

Se Dilma continuar será sempre admissível nas futuras campanhas eleitorais prometer as coisas mais simples, como baixar preços da gasolina e da conta de luz e, depois de eleita, simplesmente aumentá-los; ou acusar seu principal oponente, em debate ao vivo pela TV, de querer cortar ou acabar com programas sociais e retirar direitos dos trabalhadores. Ao tomar posse, promove o corte de verbas de quase todos os programas sociais e envia ao parlamento projeto de ajuste fiscal retirando direitos justamente..... dos trabalhadores.

Se a digníssima presidente não deixar o cargo, o Congresso dará razão também a Lula. Uma Casa acovardada, presidida por dois políticos "fudidos". E para escapar de um processo de impeachment será legítimo, no futuro, transformar o poder público em um grande balcão de negócios, oferecendo ministérios e cargos no varejo em troca de míseros votos para manter-se melancolicamente em um cargo que já não lhe pertence mais.

Se o PT continuar no poder, depois de 14 anos, a corrupção poderia ser institucionalizada nos trópicos. Dois presidentes do partido na cadeia? "Eles erraram, que paguem pelos mal-feitos". Os dois últimos tesoureiros presos? "Azar o deles". Ministros de Estado com a estrela no peito acusados de achacadores? "Mentira". Líder do Governo no Senado, expoente petista, em delação premiada relatando todo o modus operandi do grupo? "Ah, esse aí é um traidor".

O aparelhamento do Estado será rotina na administração federal se este Governo continuar. 40 ministérios e mais de 150 mil cargos comissionados, sem observar méritos e compromisso público. A maioria, na verdade, formando exército de cabos eleitorais a serviço de uma causa que ninguém sabe nem qual o fundamento.

O Itamaraty usado para emitir circulares às embaixadas brasileiras no exterior, contendo mensagens de alerta sobre um golpe em curso, com a recomendação expressa de que fossem transmitidas à opinião pública no estrangeiro. Um gesto insano, afetando ainda mais nossa frágil credibilidade no mundo. Outra obra inacreditável deste Governo. Imagine o que nossos diplomatas estarão livres para fazer se não for dado um basta à tanta irresponsabilidade de quem ainda ocupa postos de comando em Brasília.

Quando se aproximar o fim do ano e as contas públicas não fecharem é urgente burlar a tal Lei de Responsabilidade Fiscal, a mesma que certo partido combateu em passado recente. Recorrer aos bancos públicos, sem passar pelo Congresso, praticando as famosas pedaladas fiscais. Tudo resolvido. Se pouco mais da metade dos famosos "300 picaretas com anel de doutor" no Congresso derem o aval para a presidente continuar no exercício do cargo.

O atual Governo permanecendo será prática comum a obstrução da justiça, com os Bessias caminhando feito zumbis na noite, munidos de um pedaço de papel, seja amparando políticos em Brasília ou mesmo dificultando a ação de delegados no interior paraibano. O argumento? Se a Presidente pode, por que eu não?

No futuro, arruina-se a economia de um país, jogando milhões de chefes de família no desemprego. Lojas e indústrias fechadas, fuga de capitais e aumento da dívida pública. Continuando o PT no poder, sempre teremos o argumento de que o povo saiu da miséria e tem um prato de comida na mesa, quando sabemos que aumentou o número de beneficiários do bolsa família porque a pobreza também aumentou, além do poder de compra do salário mínimo estar corroído pela inflação.

Em vez de construir maioria sólida no parlamento, via governo de coalizão com quem comunga de seus projetos, mirando as democracias que deram certo no mundo, os novos gestores repetirão a mesma receita do início do terceiro milênio por aqui. Compra-se os votos e  apoios parlamentares ou dos próprios partidos. E depois quando alguém da base e do seu partido reclamar, compra-se ele também. Simples e fácil. E os professores Luizinhos receberão na boca do caixa o mensalão de um banco estatal. Isso, se quem estiver hoje no poder permanecer.

Nossas estatais podem ser sucateadas, como os Correios e a Petrobras, dois orgulhos nacionais. E o banco para financiar projetos de desenvolvimento social, o BNDES, passe a bancar peripécias do "companheiro" Eike Batista ou obras monumentais, de forma secreta e a fundo perdido, em países amigos de credos ideológicos. Tudo isso será perfeitamente justificável caso mantenha-se este projeto no Planalto.

Demite-se um ministro da Justiça que não controla as ações da Polícia Federal, quando ela deixar de atender às exigências do Governo. E o novo ministro, ao assumir, para comprovar
lealdade, ameaça trocar o comando e toda a diretoria de um dos órgãos mais respeitados pela opinião pública. Isso tudo será normal daqui a uns anos se não for impedido agora.

A presidente Dilma deve deixar o cargo pelo conjunto da obra. Mas o espetáculo está longe de ser um monólogo. Teve vários coadjuvantes. E o maior deles é o PMDB. O mais correto seria a cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE, com novas eleições, pois até a Dona Lúcia, do Parreira, sabe da comprovação de que o dinheiro público da Petrobras e o Caixa 2 das empreiteiras financiaram as campanhas de 2010 e 2014.

Raimundo Nonato da Costa Bandeira (Nonato Bandeira)
* Jornalista. Atualmente é vice-prefeito de João Pessoa e presidente do PPS da Paraíba.

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