Setembro Amarelo: 26,8% da população relata ansiedade; especialista lista hábitos simples para ajudar na saúde mental

Foto: Agencia Brasil/EBC. 


Uma rotina marcada pela pressa, pelo excesso de tarefas, pela falta de pausas e pela exposição constante a estímulos pode afetar diretamente a saúde mental. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com maior número de pessoas ansiosas do mundo. Dados mais recentes do inquérito Covitel, disponíveis no Observatório da Saúde Pública da Umane, apontam que 12,7% da população brasileira convive com a depressão, enquanto 26,8% relatam sofrer de ansiedade. 

 

Em um cenário no qual ansiedade e depressão atingem uma grande parcela da população, hábitos simples de autocuidado ganham importância como parte da prevenção e da busca por mais qualidade de vida. 

 

Para o psicólogo da Hapvida, Marcos Sueudy, incorporar pequenas mudanças à rotina pode contribuir para transformar padrões de comportamento e favorecer novas experiências.  Segundo o especialista, quem deseja começar a cuidar melhor da saúde mental pode partir de três atitudes simples: autoconhecimento, higiene mental e sono adequado.  

 

A primeira envolve olhar para si e compreender os próprios sentimentos, comportamentos e necessidades. A chamada higiene mental também deve fazer parte desse processo, Marcos recomenda reduzir o excesso de telas e reservar momentos para atividades que permitam desacelerar e observar o ambiente, como ir à praia, ao bosque ou fazer trilhas. A proposta é criar pausas reais em uma rotina cada vez mais marcada pela conexão permanente. O sono também é outro ponto fundamental, para o psicólogo, descansar não deve ser visto como perda de tempo, mas como uma necessidade do organismo. 

 

Sinais de alerta – O psicólogo fala que nem sempre a negligência com a saúde mental começa com um quadro grave. Antes disso, alguns sinais podem indicar que o autocuidado está sendo deixado de lado. Entre eles estão irritação, baixa autoestima, reclusão social e dificuldade de atenção. 

 

Marcos ressalta, no entanto, que essas manifestações variam de pessoa para pessoa. Por isso, observar mudanças no próprio comportamento e na forma de se relacionar com as atividades cotidianas pode ser um primeiro passo para identificar a necessidade de atenção. 

 

A qualidade do sono também merece ser observada. “Eles estão totalmente ligados. O nosso corpo e a nossa mente precisam de um tempo para se organizar”, explica o psicólogo lembrando ainda que, dormir bem está associado a melhores condições para a saúde mental, especialmente quando o descanso está acompanhado de outras práticas de autocuidado. 

 

Cuidados – A atividade física é outro recurso que pode ser incorporado à rotina, sem a necessidade de mudanças radicais. Para Marcos, o exercício produz efeitos no corpo, na mente e na vida social, contribuindo para a sensação de prazer e para uma maior disposição. 

 

Para quem tem pouco tempo disponível, a recomendação é começar de maneira gradual e respeitar os próprios limites. A ideia é evitar que o próprio autocuidado se transforme em mais uma fonte de cobrança. “Minha sugestão é sempre começar pela caminhada. Ela, além de ajudar o corpo, provoca bem-estar emocional e permite a contemplação do espaço por onde se está caminhando”, afirma. 

 

Outro ponto destacado pelo especialista é a diferença entre descanso e distração. Embora determinadas atividades possam proporcionar uma sensação imediata de relaxamento, elas nem sempre representam uma pausa capaz de recuperar o organismo. “O descanso de verdade reabilita o ser humano para viver a sua vida de forma mais saudável. Já as atividades que distraem trazem um prazer momentâneo”, explica Marcos.  

 

Estabelecer limites também faz parte desse processo. Dizer não, reduzir excessos e reconhecer os próprios limites, não significa agir de maneira egoísta, segundo o psicólogo.  

 

Quando buscar ajuda – Embora hábitos cotidianos possam contribuir para a manutenção da saúde mental, eles não substituem o acompanhamento profissional quando existe necessidade. Marcos orienta que a ajuda especializada seja buscada especialmente quando a pessoa percebe que não consegue, sozinha, promover mudanças nos próprios hábitos e na rotina. 

 

“Nem sempre teremos clareza para reorganizar a vida e cuidar da saúde. Essa percepção é necessária. E aceitar que precisa de ajuda não é fraqueza, é um ato de força e persistência”, conclui o psicólogo. (*) Ascom

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