Dia Nacional dos Surdos chama atenção para acessibilidade e comunicação inclusiva


Celebrado em 26 de setembro, o Dia Nacional dos Surdos é uma oportunidade para ampliar o debate sobre acessibilidade, comunicação e inclusão social. A data marca conquistas históricas da comunidade surda brasileira e também chama atenção para barreiras que ainda fazem parte da rotina de muitas pessoas, especialmente nos espaços de educação, saúde e trabalho.


Entre os recursos que contribuem para esse processo, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) ocupa um papel fundamental. Reconhecida como meio legal de comunicação e expressão no Brasil, a língua permite que pessoas surdas tenham autonomia para se comunicar, estudar, trabalhar e participar de diferentes ambientes da sociedade.


Para Rosângela Lima, professora, tradutora e intérprete de Libras da Afya Paraíba, o Dia Nacional dos Surdos abre espaço para discutir como a acessibilidade comunicacional interfere no cotidiano da população surda. A falta de profissionais preparados e de recursos acessíveis ainda pode dificultar o acesso a serviços, informações e direitos.


“O Dia Nacional dos Surdos é uma oportunidade para reconhecer conquistas importantes, principalmente o reconhecimento da Libras como língua da comunidade surda, o avanço das políticas de inclusão, a maior presença de pessoas surdas na educação, no mercado de trabalho e em diferentes espaços da sociedade. Porém, ainda existem muitas barreiras, especialmente a falta de acessibilidade comunicacional, a dificuldade de acesso a serviços públicos, saúde e educação com profissionais preparados e a pouca compreensão da sociedade sobre a cultura e a identidade surda”, afirma.


Libras como caminho para autonomia e participação


A presença da Libras em diferentes ambientes também amplia as possibilidades de interação entre pessoas surdas e ouvintes. Na avaliação da professora, o aprendizado da língua pode fazer parte da formação de profissionais de diferentes áreas e contribuir para relações mais respeitosas e inclusivas no dia a dia.


“A Libras é fundamental porque possibilita à pessoa surda comunicar-se, expressar sentimentos, fazer escolhas, aprender, trabalhar e participar da sociedade com autonomia. Quando uma pessoa surda encontra profissionais que conhecem Libras, muitas barreiras deixam de existir. Por isso, aprender Libras não deve ser visto apenas como uma habilidade profissional, mas como uma forma de promover respeito e acessibilidade”, explica.


Essa realidade também aparece no cotidiano de Rebecca Arruda, colaboradora surda da Afya Paraíba. Ela trabalha na biblioteca da instituição e mantém contato diário com estudantes ouvintes, que utilizam Libras para se comunicar com ela.


“Eu nasci surda. Para mim, o mais importante é ter acessibilidade na comunicação com as pessoas ouvintes, além de consideração e respeito. Eu trabalho na biblioteca, e os alunos ouvintes se comunicam comigo. Eu consigo entender os estudantes, e eles também usam Libras simples e básica para conversar comigo”, relata.


A experiência no ambiente de trabalho mostra a importância de criar condições para que profissionais surdos participem da rotina das instituições. Segundo Rosângela Lima, isso envolve medidas que facilitem o acesso às informações e a interação entre as equipes, permitindo que cada profissional desenvolva suas atividades com autonomia.


“As empresas precisam ir além da contratação. É necessário oferecer acessibilidade na comunicação, capacitação das equipes, informações visuais. Um ambiente inclusivo é aquele em que o trabalhador surdo consegue compreender as informações, expressar suas ideias, participar das decisões e desenvolver suas capacidades. Inclusão no trabalho significa oportunidade, respeito e autonomia”, destaca.


Setembro Surdo amplia debate sobre inclusão


O Dia Nacional dos Surdos integra um período de mobilização conhecido como Setembro Surdo, dedicado à valorização da história, da língua, da cultura e da identidade da comunidade surda. Para Rebecca Arruda, a data também representa um momento de reconhecimento e reflexão sobre os direitos das pessoas surdas.


“É um momento importante para valorizar a comunidade surda, a Libras, a cultura e a identidade surda. É também um momento para lembrar que nós, surdos, merecemos respeito, inclusão e acessibilidade”, afirma.


De acordo com Rosângela, a conscientização precisa fazer parte das atitudes cotidianas e da forma como a sociedade se relaciona com as pessoas surdas. “Setembro Surdo não é somente um mês de comemoração. É um período de conscientização, valorização e reconhecimento da história, da língua, da cultura e da identidade das pessoas surdas. É tempo de ouvir com os olhos, comunicar com as mãos e compreender que acessibilidade é um direito, não um favor".


Para quem deseja começar a aprender Libras, a professora recomenda dedicação e interesse pela realidade da comunidade surda. 


“Minha principal recomendação é: aprenda Libras com respeito, dedicação e disposição para conhecer também a cultura e a realidade da comunidade surda para estabelecer comunicação e construir relações mais acessíveis. Cada pessoa que aprende e utiliza Libras contribui para diminuir essas barreiras e aproximar surdos e ouvintes. Por isso, o Setembro Surdo é também um convite para falar sobre inclusão e aprender a praticá-la".



(*) Vivass Com

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