Em novo artigo, Percinaldo Toscano relembra trajetória e assassinato do ex-intendente Manoel Lordão em Guarabira


O professor e pesquisador Percinaldo Toscano relembrou, em artigo publicado recentemente, a trajetória do ex-intendente de Guarabira, Manoel Lordão, um dos nomes marcantes da história política e social da cidade.


Natural de Campina Grande, Manoel Lordão administrou Guarabira entre 1915 e 1917, além de atuar como tabelião, jornalista e funcionário da Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS). Entre suas contribuições para o município, estão a instalação do motor de luz e a proposta de construção do mercado de Pirpirituba.


O artigo também destaca o assassinato de Lordão, ocorrido em 1926, nas proximidades da estação ferroviária de Guarabira, fato que causou grande comoção em toda a Paraíba. Em homenagem à sua memória, a antiga Rua do Boi Choco recebeu, em 1948, o nome de Rua Prefeito Manoel Lordão. Um importante resgate histórico sobre um personagem que ajudou a construir a história de Guarabira.


Vale à pena conferir  o artigo na íntegra



Manoel Lordão


Venho trazer à tona, neste artigo, um fato que marcou a vida social e política de Guarabira no ano de 1926, pouco antes da “Revolução de 30”, quando a cidade era administrada pelo intendente Antônio Galdino Guedes, homem público possuidor de vasto conhecimento jurídico. 

Era práxis, após a Proclamação da República em 1889 e para a sua manutenção, nomear interventores para administrar cidades e Estados conforme a conveniência dos republicanos.  Foi assim que Manoel Lordão recebeu indicação para a função de intendente (prefeito) de Guarabira nos anos de 1915 a 1917, conforme registro em “Guarabira através dos tempos”.

Natural de Campina Grande, nascido em 1870, momento em que o Brasil absorvia os ideais de transformação da Monarquia para República. 

Manoel Lordão ocupou cargos e funções de destaque na Parahyba. Trabalhou especialmente na Inspetoria de Obras contra as Secas (IOCS), órgão sediado no Rio de Janeiro e, além de prefeito de Guarabira, onde gozava de muito prestigio, foi também Tabelião Público e Escrevente substituto (1902)

Em matéria do Jornal do Recife, de 25 de agosto de 1926, dez dias após ao acontecido, noticiou-se que Manoel Lordão fora alvejado com quatro tiros de rifle quando se dirigia do cartório para sua residência, por volta das 23h00, nas proximidades da estação ferroviária de Guarabira. A matéria registra, ainda, que o motivo do assassinato se deveu às medidas tomadas pelo tabelião quanto a uma questão de terras.

Por sua vez, o jornal A União publicou a seguinte manchete: “Foi assassinado em Guarabira o Major Lordão”. Essa trágica notícia invadiu as ruas de Guarabira, cortando o véu da madrugada serena e umedecendo os olhares de parentes, familiares e amigos. Seus algozes procuraram o refúgio silencioso da noite, propício ao deleite dos boêmios, para ceifar a vida do ilustre cidadão.

O assassinato entristeceu a Rainha do Brejo Paraibano e estarreceu a capital do Estado, provocando uma sessão especial na Assembleia Legislativa em protesto contra a violência dirigida ao major, bem como prestar a última homenagem a tão importante homem público. Assim disse Seráfico da Nóbrega: “Manoel Lordão foi vítima do seu dever, do cumprimento do seu ofício”. Já o parlamentar Celso Mariz referiu-se a Lordão exaltando sua capacidade intelectual, ao tempo em que solicita à presidência da Casa Legislativa a suspensão dos trabalhos em homenagem ao grande deputado. E assim foi feito.

Vinte e dois anos depois, em 14 de julho de 1948, o plenário da Câmara Municipal de Guarabira aprovou que a Rua do Boi Choco – que se inicia na Praça 15 de novembro (hoje Praça Antônio Guedes) e segue até a margem do Rio Guarabira - fosse designada Rua Prefeito Manoel Lordão. Casado com D. Constância, formava com seus quatro filhos, uma família exemplar. 

Considero legítima a tese que para importantes logradouro (ruas, praças, avenida e monumentos) significativo, em qualquer cidade do mundo, deva receber como patrono(a), nomes de grandes homens e de grandes mulheres.

Como prefeito, Manoel Lordão trabalhou na instalação do motor de luz para Guarabira, e propôs a construção do mercado de Pirpirituba. Era homem culto. Foi jornalista integrante de vários jornais da cidade, atributos herdados de seu pai Graciliano Fontino Lordão, latinista e primeiro professor negro da Paraíba. 

Guarabira, 05 de maio de 2026


Por Percinaldo Toscano


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