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O beijo é uma das formas de afeto mais comuns e está associado a benefícios como a redução da ansiedade, melhora do humor e aumento da autoestima. Celebrado em 13 de abril, o Dia do Beijo também chama a atenção para os cuidados com a saúde, já que o contato direto pode representar riscos ao facilitar a transmissão de vírus e bactérias por meio da saliva. De acordo com especialistas, a cavidade oral pode abrigar mais de 700 espécies de microrganismos capazes de causar infecções na boca e na garganta.
A infectologista Marcela Marinho, da Hapvida, alerta que, além das bactérias presentes naturalmente na boca, o beijo pode estar associado à transmissão de algumas doenças infecciosas, especialmente as relacionadas às vias respiratórias. Entre as principais estão o herpes labial e infecções como gripe e influenza. Em situações mais raras, pode ocorrer a transmissão de doenças como a tuberculose, quando há contato com secreções contaminadas.
Ela também explica que o risco de transmissão está relacionado ao tempo de contato. Desde o primeiro beijo já existe a possibilidade de contágio, mas quanto maior a duração, maior a exposição à saliva e aos microrganismos. No entanto, um beijo rápido não elimina o risco. Já nos beijos prolongados, a probabilidade de transmissão tende a ser maior justamente pelo maior tempo de exposição.
Doença do beijo – Um dos exemplos mais conhecidos é a mononucleose, popularmente chamada de “doença do beijo”, que ainda é comum e pode apresentar sintomas semelhantes aos de outras infecções. “A mononucleose ainda é uma doença comum. Os sintomas se assemelham muito a um quadro de dor de garganta ou amigdalite, com febre, dor no corpo, aumento dos linfonodos e, às vezes, placas na garganta”, explica a infectologista.
Segundo a especialista, o diagnóstico pode ser confundido com infecções bacterianas, o que pode levar ao uso de antibióticos sem resposta. Com uma investigação mais detalhada, é possível confirmar o quadro.
Além da mononucleose, outras doenças infecciosas também podem ser transmitidas pelo beijo, especialmente as relacionadas às vias respiratórias. “Doenças como herpes, gripe, Covid-19 e influenza podem ser transmitidas pelo beijo, assim como outras infecções respiratórias. Essas doenças são transmitidas tanto por gotículas quanto por aerossóis”, explica Marcela. A médica destaca ainda que o contato próximo facilita a transmissão e reforça a importância de manter a vacinação em dia como forma de prevenção.
ISTs – Apesar da preocupação comum, as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não são, em geral, transmitidas pelo beijo, de acordo com Marcela. Essas doenças estão mais associadas ao contato durante relações sexuais, especialmente sem proteção. Infecções como sífilis e HPV, por exemplo, não são comumente transmitidas dessa forma, sendo mais provável a transmissão por meio do sexo oral desprotegido.
A especialista também reforça a importância de evitar desinformação e preconceito. O HIV não é transmitido por beijo, abraço ou contato casual, ocorrendo principalmente por relação sexual sem proteção ou contato com sangue contaminado.
A possibilidade de transmissão por pessoas assintomáticas depende do tipo de infecção. Em alguns casos, como o herpes, a transmissão ocorre principalmente quando há lesões ativas, reduzindo o risco na ausência de sinais aparentes. Por outro lado, em infecções respiratórias, como gripe e Covid-19, mesmo sem sintomas a pessoa pode estar no período de incubação e transmitir a doença, o que exige atenção em situações de contato próximo.
Alguns grupos exigem atenção redobrada, especialmente pessoas com baixa imunidade. “Essas pessoas têm maior risco de desenvolver quadros mais graves ao entrar em contato com infecções virais. Embora qualquer pessoa possa contrair essas doenças, os grupos mais vulneráveis tendem a apresentar sintomas mais intensos ou complicações”, destaca a infectologista.
Prevenção – Para reduzir os riscos de transmissão, a adoção de medidas simples no dia a dia faz diferença, especialmente em períodos de maior contato social, como festas e eventos. “A vacinação em dia é fundamental”, orienta a especialista. Outros cuidados importantes incluem a higienização frequente das mãos e a atenção aos sintomas. “Pessoas com sinais respiratórios devem, se possível, evitar locais com aglomeração. Caso precisem sair, é essencial manter a etiqueta respiratória e utilizar máscara para proteger outras pessoas”, conclui.
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