Cuidado excessivo com a saúde: quando a busca pelo bem-estar se torna preocupação exagerada

Foto: Créditos / Freepik. 

A busca por saúde e bem-estar é considerada um comportamento natural e necessário. No entanto, quando o cuidado ultrapassa limites e passa a interferir na rotina, pode deixar de ser saudável e se tornar um sinal de alerta para transtornos psicológicos. Neste Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, o tema chama atenção para os excessos que podem comprometer a qualidade de vida.


De acordo com a psicóloga da Hapvida, Patrícia Damasceno, o ponto de atenção está no impacto dessa preocupação no cotidiano. “O cuidado deixa de ser saudável quando passa a gerar ansiedade constante e um medo desproporcional de adoecer, trazendo prejuízos à rotina. Essa preocupação exagerada leva a checagens repetitivas, busca excessiva por exames ou consultas e dificuldade de se tranquilizar mesmo após avaliações médicas normais”, explica.


O consumo contínuo de conteúdos alarmistas, especialmente nas redes sociais, pode agravar o quadro. Segundo a especialista, esse tipo de exposição tende a amplificar a percepção de risco e estimular autodiagnósticos, criando um ciclo de ansiedade e vigilância excessiva. Para ela, o maior acesso a informações médicas, sobretudo pela internet, tem um papel ambíguo. “Embora facilite o acesso ao conhecimento, também pode intensificar preocupações e favorecer interpretações equivocadas sobre sintomas comuns”, afirma.


Patrícia também aponta que quadros de preocupação persistente e desproporcional podem estar associados a transtornos como ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo relacionado à saúde e o transtorno de ansiedade de doença, conhecido como hipocondria. Esse último, um dos mais conhecidos, afeta até 5% da população mundial, com maior incidência entre pessoas de 20 a 40 anos, conforme dados do Journal of Clinical Psychiatry.


Sinais – Entre os principais sinais de alerta estão a interpretação de sintomas simples como indícios de doenças graves, a busca frequente por exames e opiniões médicas sem necessidade clínica, além da pesquisa compulsiva sobre doenças, alerta a psicóloga. Também são indicativos a checagem constante do corpo como batimentos cardíacos e pressão arterial, o medo persistente de adoecer ou morrer, além de prejuízos na rotina, nas relações pessoais e profissionais. “Esse comportamento, quando prolongado, pode desencadear ansiedade crônica, estresse e dificuldades para relaxar, comprometendo a qualidade de vida. Diante desse cenário, é recomendado buscar ajuda profissional ao perceber que a preocupação com a saúde se tornou frequente, difícil de controlar ou está causando sofrimento”, observa. 


A psicoterapia, segundo Patrícia, é uma aliada importante nesse processo. “O acompanhamento psicológico contribui para o autoconhecimento, além de auxiliar no desenvolvimento de estratégias para lidar com a ansiedade e estabelecer uma relação mais equilibrada com o cuidado com a saúde”, pontua. (*) Ascom

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