Um vídeo gravado por populares e divulgado nas redes sociais nesta terça-feira (11) mostra uma mistura de água com coloração semelhante a sangue escorrendo por baixo do muro e de uma tampa de esgoto do Hospital Regional de Guarabira, e se espalhando pelas ruas próximas à unidade de saúde. O caso gerou repercussão na cidade.
A situação foi denunciada publicamente pela vereadora Isaura Barbosa, que classificou o episódio como um “verdadeiro descaso com a população”. Segundo a parlamentar, o suposto descarte de material sanguinolento em via pública representa um risco grave à saúde da comunidade.
De acordo com Isaura, resíduos com presença de sangue são considerados material biológico potencialmente infectante e precisam seguir protocolos rígidos de manejo e descarte. Caso a irregularidade seja confirmada, moradores, trabalhadores da limpeza urbana e pessoas que transitam pela área poderiam estar expostos a possíveis riscos de contaminação.
A vereadora também destacou que hospitais possuem obrigação legal e sanitária de seguir normas específicas de biossegurança para o tratamento de resíduos hospitalares, justamente para evitar situações como a registrada nas imagens.
Diante da repercussão do caso, Isaura cobrou explicações e providências imediatas por parte dos órgãos responsáveis, além de fiscalização das autoridades sanitárias.
O que diz a direção do Hospital Regional de Guarabira
Em nota enviada à imprensa a direção do HRG disse que trata-se de resíduos de barro e material de construção misturados com água, provenientes das obras que ocorrem na unidade hospitalar. Veja a íntegra da nota
NOTA DE ESCLARECIMENTO
O Hospital Regional de Guarabira esclarece à população que a água de coloração avermelhada observada nas ruas do entorno da unidade é proveniente de resíduos de barro e matérias de construção misturados com água, oriundos da obra de ampliação que está sendo realizada nas dependências da unidade.
A direção informa ainda que o fluxo de água não está relacionado à área hospitalar em funcionamento, mas sim, ao setor onde ocorrem os serviços da obra, portanto, não se trata em hipótese alguma de sangue.
Verificação da equipe técnica da unidade, apurou que foi identificado um novo entupimento na rede de drenagem, situação que já havia sido registrada anteriormente. A direção já informou a situação à Cagepa e à empresa responsável pelos serviços para que as devidas providências sejam adotadas de forma rápida e eficaz e aproveita ainda para pedir desculpas à população pelos transtornos causados.
Diante disso, o hospital reforça que não há qualquer ocorrência envolvendo sangue no local e lamenta a divulgação equivocada sobre o assunto, classificando como um desserviço.
A direção segue acompanhando o caso para garantir a normalização da situação.
A nota não convenceu
Mesmo após a divulgação da nota oficial, muitas pessoas permaneceram incrédulas em relação ao esclarecimento apresentado pelo Hospital Regional de Guarabira.
O vereador Vando do Mutirão, em mensagem enviada nesta quarta-feira (11) ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Constelação FM, afirmou não acreditar que o líquido seja barro vermelho e cobrou providências dos órgãos competentes.
“Sobre esse líquido muito parecido com sangue, eu tenho certeza de que é sangue. Nossos amigos vereadores que dão sustentação ao Governo do Estado também sabem que é sangue. Eu não sou daquele pensamento de ‘quanto pior, melhor’. Acredito que a solução precisa ser tomada. Não apenas por esse sangue que está escorrendo ali, mas também por essa água que desce a céu aberto pela (Avenida) Padre Inácio de Almeida. É algo muito horrível. A gente passa e vê aquele aguaceiro que não para de sair dali. A Cagepa e o setor competente precisam tomar providências sobre essa situação, porque, se for sangue, quem sabe o que pode acontecer depois”, declarou.
O parlamentar também criticou a explicação de que o material seria barro vermelho. “Eu sou da zona rural e conheço o que é barro vermelho. Barro não tem mau cheiro. Todo mundo está reclamando em Guarabira. Querer colocar uma venda nos olhos das pessoas é muito triste. Espero que o setor competente tome providências para que a população não sofra com a incompetência dos administradores e das pessoas responsáveis pelo Hospital Regional de Guarabira”, acrescentou.
Durante o mesmo programa da emissora, uma ouvinte sugeriu que fosse coletada uma amostra do material que escorre pelas ruas para a realização de análise clínica, a fim de esclarecer oficialmente o caso e, quem sabe, encerrar a polêmica.

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