Memórias de ouro: jornalista relembra a magia do cinema e do Canal 100 em Guarabira

Nonato Nunes destaca o papel central dos cinemas locais e a mística do lendário Canal 100. 



Em um resgate nostálgico que atravessa gerações, o jornalista Nonato Nunes compartilha suas memórias sobre a efervescência cultural de Guarabira (a 96km de João Pessoa) durante sua juventude. Em um relato sensível, Nunes destaca o papel central dos cinemas locais e a mística do lendário Canal 100, que transformava as partidas de futebol em verdadeiros espetáculos cinematográficos.


Naquela época, o entretenimento da cidade orbitava em torno de três salas icônicas: o Cine São José, o Cine São Luiz e o popularmente conhecido "Pulguinha" — este último com acesso restrito a maiores de 18 anos. A programação era diversificada, indo dos clássicos de Tarzan e faroestes às impagáveis chanchadas de Mazzaropi, Oscarito e os sucessos de Teixeirinha e Os Trapalhões.


Entretanto, para os apaixonados por esporte, o ápice da experiência no cinema não era o filme principal, mas o que vinha antes dele. "Como sempre gostei de futebol, eu costumava aguardar a hora do famoso Canal 100. Era emocionante ver os lances e ouvir o narrador descrever os dribles com o som da torcida ao fundo", recorda o jornalista.


O Futebol em Câmera Lenta

Fundado pelo cineasta Carlos Niemeyer em 1957, o Canal 100 revolucionou a forma de filmar o futebol brasileiro. Com o uso magistral do "slow motion" (câmera lenta), o cinejornal imortalizou o talento de craques como Zico, do Flamengo, e Roberto Dinamite, do Vasco, permitindo que o público apreciasse cada detalhe técnico que a velocidade do jogo ao vivo muitas vezes escondia.


Embora o Canal 100 tenha encerrado suas atividades no ano 2000, o legado de Niemeyer permanece vivo. Grande parte desse acervo histórico foi preservada e está disponível em plataformas digitais como o YouTube, servindo como uma ponte entre o passado glorioso do futebol arte e as novas gerações de torcedores.


O relato de Nonato Nunes não é apenas uma homenagem ao cinema, mas um registro da identidade cultural de Guarabira, onde a tela grande era o ponto de encontro entre a arte, a emoção das arquibancadas e a convivência social.


Veja a publicação de Nonato Nunes na íntegra



Nonato Nunes/Jornalista 

MEMÓRIA/CANAL 100//Na minha adolescência, em Guarabira (96km de João Pessoa), ir ao cinema era uma das poucas diversões culturais possíveis na cidade. Na Guarabira da minha juventude haviam apenas três cinemas: o São José, o São Luiz e a "Pulguinha". O acesso a este último era apenas para os maiores de 18 anos. Naquele tempo o que se via, comumente, nos cinemas locais, eram filmes como Tarzan, faroestes, muitas chanchadas como as de Mazzaropi e Oscarito, e filmes de Teixeirinha, de Os Trapalhões etc. Mas como sempre gostei de futebol eu costumava aguardar a hora do famoso Canal 100. Esse canal trazia informações diversas, mas o que atraía a atenção da garotada adolescente eram mesmo os lances do futebol brasileiro. Todos em slow motion. Era emocionante ver os lances e ouvir o narrador descrever os dribles e ouvir, ao fundo, o som artificial da torcida. Era bom demais ver os lances dos dois maiores craques da época: Roberto Dinamite (Vasco) e Zico (Flamengo). Esses lances podem ser vistos no YouTube, pois muitas daquelas imagens foram preservadas e postadas nessa rede social. O Canal 100 foi criado pelo cineasta Carlos Niemeyer, em 1957, e só deixou de existir em 2000. Quanta saudade!

 Um abraço.


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