Pandemia: crianças estão mais agressivas e irritadas; comportamento repetitivo deve ligar botão de alerta

A psicóloga Luciene Santos orienta os pais, sugerindo como lhe dar com a situação. Foto: Divulgação / Hapvida. 
A sensação é de que eles estão cada dia mais agressivos e irritados. Se um brinquedo cai, é motivo de irritação; se não são atendidos de imediato, pode ter certeza que virá um comportamento agressivo. A pandemia do novo coronavírus trouxe muitas mudanças e mexeu com o comportamento dos pequenos, que tiveram toda a sua rotina modificada. A psicóloga da MedPrev do Sistema Hapvida, Lucilene Santos de Almeida, orienta como primeiro passo entender as razões para tais reações e apesar das dificuldades tentar lidar com tal comportamento. Ela afirma que agressividade é normal, mas quando se torna constante é preciso ligar o botão de alerta e procurar ajuda. 

“A agressividade é um tipo de comportamento normal que se manifesta nos primeiros anos de vida. Na infância, a agressividade é uma forma encontrada pelas crianças para chamar a atenção para si. É uma espécie de reação a algum acontecimento que faz com que se sintam frágeis e inseguras”, explana. 

A psicóloga esclarece que a agressividade é uma qualidade natural, humana ou animal, que tem a função de defesa diante dos perigos enfrentados e dos ataques recebidos. Por isso, nem toda manifestação agressiva precisa ser contida. Porém quando, os filhos crianças ou adolescentes têm repetidas atitudes de agressão física ou verbal, passando a afetar outras pessoas ou animais, é hora de ligar o sinal de alerta. “A agressividade é o sintoma de que algo pode não estar indo bem na condução da educação dada pelos pais ou de que os filhos estão passando por conflitos pessoais para os quais necessitam de ajuda; podendo machucar ou magoar, precisa intervir e buscar ajuda”, sugere. 

Lucilene lembra que o modelo de comportamento que os pais apresentam tem grande influência sobre o desenvolvimento da agressão na criança. “A brutalidade na relação entre pais e filhos ensina as crianças, por meio da observação, o que fazer, assim, concluem que bater é apropriado e poderoso. Considerando-se que a criança ou adolescente, ao ser agressiva, pode ser rejeitada tanto pela família quanto pela escola, a agressividade pode indicar um sofrimento”, pondera. 

Alguns pais e responsáveis tendem a confundir agressividade e raiva. Nesse sentido, a especialista afirma que é importante saber diferenciar uma da outra e entender que raiva e agressividade nem sempre caminham juntas. “A raiva é um de nossos muitos mecanismos de proteção, quando nos sentimos injustiçados. Sentir raiva é uma coisa aceitável e, acima de tudo, muito positiva, pois a emoção nos sinaliza que fomos transgredidos e que algo precisa ser feito. Entretanto, ser agressivo já não cumpre uma boa função psicológica e social. Por isso a importância de diferenciá-las; agressividade é um comportamento e raiva, uma emoção. As duas não andam, obrigatoriamente, juntas”, esclarece.

Lidando com o problema – A psicóloga do Sistema Hapvida aponta que há formas de lidar com a agressividade apresentada pelas crianças e adolescentes, e que o diálogo é sempre o melhor caminho. No caso de adolescentes, a especialista reforça a necessidade de evitar o confronto. 

Entre as orientações sugeridas por Lucilene estão:

• É necessário atenção dos pais aos sinais de estresse dos filhos. Os pais e responsáveis devem se colocar de maneira firme, mas evitar serem rudes, pois isso só vai piorar. É importante criar relações seguras com as crianças e adolescentes;

• Procurem conversar e interessar-se pelo seu universo e relações, mantendo um bom canal de diálogo e confiança, para receber as suas opiniões e queixas;

• Neste período de pandemia, converse sobre o que estamos enfrentando. Escute a demanda de seus filhos e lhes dê respostas positivas, porém não enganadoras;

• Ajudem a refletir sobre a eficácia e as consequências das suas atitudes agressivas, mostrando que há outras maneiras para expressar e resolver os conflitos;

• Organize horários para o uso de eletrônicos. Tente resgatar as brincadeiras antigas e explore a capacidade criativa e imaginária das crianças e adolescentes;

• Se necessário, busque ajuda de profissionais capacitados.

(*) Com Ascom Hapvida


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