Na Semana do Meio Ambiente, pesquisadora aponta a substituição de combustíveis fósseis por etanol para a qualidade do ar nas cidades

No Brasil, os biocombustíveis também podem nos ajudar muito nessa luta contra a poluição atmosférica, diz especialista. 
A professora do Departamento de Tecnologia Sucroalcooleira da UFPB, Márcia Helena Portieri. Foto: Divulgação / Assessoria. 
Na Semana do Meio Ambiente, o Brasil e o mundo experimenta uma rotina diferente com menos poluição no ar, nessa época de isolamento social. Segundo dados de especialistas, que realizaram monitoramento do ar, em São Paulo capital, enquanto nos três últimos anos, na primeira quinzena de abril, os níveis de Material Particulado Atmosférico, estabelecidos pela OMS, foram ultrapassados várias vezes, nos primeiros quinze dias de abril, deste ano, nenhuma intercorrência de valores acima do limite foi registrado.

Em nota, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou sobre a diminuição de poluentes na atmosfera da cidade de São Paulo, onde os níveis de monóxido de carbono, que é um indicador da emissão de veículos leves em grandes centros urbanos, foram os mais baixos no mês de março na região. 

Ainda na nota, a companhia narrou que durante esse período de 10 dias, a observação aconteceu nas 13 estações que medem este poluente na (Região Metropolitana de São Paulo), e que a queda dos níveis de Monóxido de Carbono (CO) foi mais acentuada nas estações próximas às grandes vias de tráfego.

No documento, a Cetesb ressaltou que essas mudanças não ocorrem de forma igual para todas as regiões estudadas e também que, para alguns poluentes, não houve diminuição das concentrações. Os poluentes citados foram o MP 2,5 e CO.

A professora do Departamento de Tecnologia Sucroalcooleira da UFPB, que atua, principalmente na área de monitoramento e qualidade do ar, Márcia Helena Pontieri, explicou que a poluição atmosférica é uma mistura de gases, tais como monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx), além de partículas, conhecidas como Material Particulado (MP), emitidos por fontes naturais ou principalmente pelas atividades humanas, as chamadas fontes antropogênicas. 

Ela explicou que as indústrias, usinas termoelétricas, os veículos automotores, a agricultura e até mesmo as atividades domésticas podem gerar poluentes atmosféricos. “Mas hoje, a grande preocupação é a queima de combustíveis fósseis, principalmente dos veículos automotores”, alertou a professora que também tem doutorado em Química.

A professora da UFPB adiantou que a poluição atmosférica encontrada nos grandes centros urbanos é reconhecida como um risco à saúde pública, mesmo quando esses poluentes encontram-se dentro dos níveis aceitos pela legislação. “Estudos mostram que as partículas finas e gases provenientes da combustão de combustíveis fósseis são causadores de uma série de doenças respiratórias”, lembrou.

Márcia Helena Pontieri, destacou que atualmente, vários estudos têm associado doenças cardiovasculares, cânceres e doenças neurológicas aos materiais particulados identificados pela sigla PM2.5 e que possuem diâmetro equivalente a 3% de um fio de cabelo, e que essas partículas são emitidas nos processos de combustão e ficam no ar. 

“Quando respiramos, essas partículas chegam ao pulmão e podem entrar na corrente sanguínea desencadeando problemas de saúde como o câncer, acidentes vasculares cerebrais e cardiopatias”, lembrou a professora da UFPB.

Doutora Márcia Helena Pontieri acrescentou ainda que para tentar evitar que essa poluição atinja níveis muito elevados, os países seguem legislações específicas que estabelecem os valores máximos de concentração para alguns dos poluentes mais comuns, entre eles estão materiais particulados (MP10 e MP2,5), SO2, NOx (NO e NO2), CO e chumbo. “Em todos os casos, as legislações estabelecem limites máximos que causariam menor dano ao meio ambiente e à saúde humana”, disse.

Ela afirmou que a União Europeia segue as diretrizes de qualidade do ar, estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Já os Estados Unidos, seguem padrões estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), e no Brasil, a resolução é estabelecida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). 

O acompanhamento dos níveis de poluição é feito através de monitoramento desses poluentes. 

A professora do Departamento de Tecnologia Sucroalcooleira da UFPB, lembrou que em 1989, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), criou o Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar (Pronar), por meio da Resolução CONAMA 05/1989, e em 1990, foram estabelecidos os valores para os padrões de qualidade do ar através da Resolução CONAMA 03/1990, que deveriam ser seguidos por todos os Estados da Federação.  

Ela disse também que no ano de 2018, para atender as diretrizes da OMS foi instituída uma nova resolução, a Resolução CONAMA 491/2018, alterando alguns limites dos padrões de qualidade do ar e adicionando o MP2,5 como padrão de controle obrigatório. “Pela nova resolução, é dever dos estados e municípios, o monitoramento e planos de gestão para a qualidade do ar, além da elaboração anual dos resultados do monitoramento para a população”, lembrou.

A acadêmica evidenciou que o monitoramento da qualidade do ar no Brasil ainda é escasso, onde poucos Estados realizam esse monitoramento. “As regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste são as que apresentam menor quantidade de registros. No Estado da Paraíba, não existem registros de monitoramento da qualidade do ar”, disse Pontieri.

Uma esperança de apoio ao monitoramento do ar na capital começa a surgir na Paraíba, onde atualmente, um grupo de pesquisa da UFPB formado pela própria Márcia Pontieri, professora Nataly Albuquerque, professor Cleonilson Protásio de Souza e alguns alunos de graduação e do Programa Regional de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema), começaram a realizar o monitoramento de material particulado, em parceria com a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema). 

“Temos alguns resultados do final do ano passado e devemos voltar a fazer as medidas assim que o isolamento social terminar. Nas amostras analisadas, em nenhuma delas obtivemos valores acima dos máximos permitidos pela legislação. A nossa proposta é montar uma estação de monitoramento de poluentes atmosféricos, juntamente com os sensores, para mapear os principais pontos de poluição e informar à população da capital”, anunciou Márcia Pontieri.

Segundo a professora da UFPB, o professor Protásio desenvolveu sensores de baixo custo, que podem ser distribuídos por toda a cidade. Os dados são obtidos remotamente, tornando o monitoramento mais fácil e econômico. 

Márcia Pontieri sugeriu que um monitoramento atmosférico efetivo poderia mapear os locais, dentro da cidade, onde ocorre maior incidência de poluição atmosférica. Isso auxiliaria os gestores estaduais e municipais a promoverem ações de mobilidade urbana, de forma a diminuir as concentrações de poluentes. 

“Para fazer o monitoramento, é preciso trabalhar com os equipamentos indicados pelas normas. Os sensores ainda são experimentais, mas nos ajudam muito, principalmente quando o intuito é saber quais as regiões da cidade estão com níveis mais altos de poluição”, lembrou a professora da UFPB.

Ela adiantou que infelizmente não existe prazo para a produção da tecnologia, pois os investimentos em pesquisa diminuíram muito e ainda não tem formas de financiamento para os equipamentos. “Estamos estudando a possibilidade de algumas parcerias. Mas, por enquanto, não temos prazos determinados”, revelou.

COMBUSTÍVEIS LIMPOS
Para a estudiosa, no Brasil, os biocombustíveis também podem nos ajudar muito nessa luta contra a poluição atmosférica. O etanol e o biodiesel são os dois biocombustíveis com grande importância na limitação das emissões de gases de efeito estufa, e outros poluentes. “Como o etanol tem quantidade elevada de oxigênio, a mistura etanol/gasolina promove melhor performance da combustão dentro dos cilindros do motor. Com isso, a queima de combustíveis misturados com etanol pode reduzir as emissões de monóxido de carbono e inibir a queima de hidrocarbonetos”, asseverou.

Ela adiantou que as emissões de Hidrocarbonetos (HC) e Monóxido de Carbono (CO) são menores em misturas com etanol do que em combustíveis convencionais. Além disso, como a combustão é mais completa, os carros abastecidos com etanol, não geram materiais particulados.

Para contribuir com a qualidade do ar, nos grandes centros, a professora da UFPB apontou ainda como saída, o uso do etanol pelos transportes públicos, pois são considerados os grandes vilãos, por abastecerem com diesel e emitirem material particulado.

“A principal forma de mitigação da poluição atmosférica é através de políticas públicas. Um grande avanço nesse sentido é o Programa Renovabio. Esse importante programa, incentiva o desenvolvimento de biocombustíveis de fontes renováveis, em substituição ao combustível de origem fóssil, contribuindo para a redução das emissões de poluentes na atmosfera e melhoria da qualidade do ar”, destacou. (*) Assessoria

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