Faltaram cinco votos para os 308 necessários à aprovação; Eduardo Cunha
diz que o tema deve voltar à pauta em breve.
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| ₢ Divulgação/Gustavo Lima/Câmara dos deputados. |
A Câmara dos Deputados derrotou
na madrugada desta quarta-feira a proposta que reduziria a maioridade penal em
casos de crimes graves. A medida, que previa a punição de adolescentes a partir
dos 16 anos, precisava de 308 fotos favoráveis. Obteve 303, ante 184 contrários
e três abstenções. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirma que
o assunto não está encerrado e que a Casa ainda vai apreciar pelo menos uma
proposta alternativa de redução da maioridade nas próximas semanas.
O PT e o governo se articularam até a última hora para mudar o
voto de parlamentares indecisos, e o esforço funcionou. A bancada do PROS, por
exemplo, votou contra a medida após um telefonema do ministro da Justiça, José
Eduardo Cardozo. PSB, PPS, PCdoB, PDT, PV e PSOL orientaram suas bancadas a
votar a contra a redução.
O texto rejeitado é o relatório feito pelo deputado Laerte
Bessa (PSC-DF) sobre uma PEC do ex-deputado Benedito Domingos (PP-DF). A
proposta de Domingos reduzia a maioridade penal para 16 anos em todos os casos.
Inicialmente, Bessa apoiou a regra. Depois, para aumentar as chances de
aprovação e reduzir os riscos de um questionamento judicial da proposta, ele
optou por manter a regra atual mas excluir dela os adolescentes de 16 e 17 anos
que cometem crimes graves como homicídio, estupro, sequestro, tortura, tráfico
de drogas e roubo qualificado.
Pela proposta, os menores de idade que se enquadrarem na nova
regra ficariam presos em unidades ou alas separadas. Eles não se misturariam
nem com os presos comuns, nem com os outros adolescentes infratores.
Debate - A discussão sobre o tema demorou cerca de quatro
horas. De um lado, os contrários à mudança argumentavam que a redução da
maioridade encarcerará adolescentes que seriam recuperáveis e nada fará para
combater o crime. Do outro, os defensores da proposta afirmavam que a mudança
era uma questão de justiça e se tornara urgente porque reestabeleceria na lei
uma proporção aceitável entre o crime cometido e a punição aplicada."Qual
é a justificativa que pode ter para se suprimir a vida de alguém? Não existe
justificativa. Tenha o autor do crime a idade, a classe social e a formação que
tiver", disse o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), que defendeu voto
favorável à medida.
O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) afirmou que, como não há
espaço adequado para que esses jovens sejam mantidos separados dos demais
presos, eles conviverão com criminosos comuns: "Eles serão exército de mão
de obra de reserva do crime organizado. Estarão na pós-graduação do crime",
afirmou.
Já Moroni Torgan (DEM-CE), atacou o discurso dos opositores da
mudança:"É a educação que nós queremos. Mas onde a educação não deu jeito
não podemos deixar a impunidade prosperar. É a vida do nosso povo que está em
jogo".
Minutos antes da votação, o líder do governo, José Guimarães
(PT-CE), previa que a proposta seria derrubada no Senado se passasse na Câmara.
"Essa PEC não tem risco de passar. Se passar aqui não passa no
Senado", opinou.
Muitos manifestantes contrários à proposta da redução não
puderam entrar nas galerias da Câmara, que tem número limitado de cadeiras. Por
isso, eles protestaram nos corredores do Congresso e chegaram a hostilzar
deputados. Heráclito Fortes (PSB-PI) chegou a cair no chão enquanto tentava
ultrapassar uma barreira de manifestantes. Do lado de fora do Congresso,
militantes também entraram em confronto com a polícia.
Cunha - Após a votação, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha,
afirmou que o assunto vai retornar à pauta - talvez já na semana que vem.
"A votação ainda está muito longe de acabar", disse ele.
Como o texto que a Câmara rejeitou foi um substitutivo à
proposta de Benedito Domingos, é preciso que a Câmara aprecie o texto original
(o que prevê a redução para 16 anos em todos os casos). Nessa apreciação, parlamentares
podem propôr as chamadas emendas aglutinativas, com alternativas ao texto-base.
Por isso, o assunto ainda não está encerrado."Vamos concluir essa votação.
Não esta semana, talvez na próxima. Se não na próxima, no segundo
semestre", disse o presidente.
Cunha também criticou a atuação do governo na reta final da
votação para conquistar votos contra a redução. "Apesar de o governo ter
trabalhado contra, ter tido todo o tipo de movimentação, foram 303 votos. É um
número muito representativo", afirmou o peemedebista. (Veja)

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