Saúde da mulher: especialista alerta para a importância dos cuidados médicos durante o período de recuperação pós-parto

Foto/Crédito: Adobe Stock. 


Conhecido popularmente como "resguardo" ou "quarentena", o período de recuperação após o parto é fundamental para que o organismo da mulher se recupere das mudanças físicas e hormonais ocorridas durante a gestação. Ao longo de nove meses, o corpo passa por transformações que se modificam bruscamente poucas horas após o nascimento do bebê. Apesar da importância desse cuidado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 30% das mulheres não recebem assistência adequada durante o pós-parto, fase em que também ocorre a maior parte dos falecimentos maternos e neonatais.  

 

Segundo a ginecologista Aneris Colla, da Hapvida, diversos fatores contribuem para que muitas mulheres interrompam precocemente o período de resguardo, como a falta de uma rede de apoio, a necessidade de cuidar de outros filhos, a ausência do parceiro ou da licença-paternidade, além da pressão social e econômica que leva muitas mães a retomarem rapidamente as atividades domésticas. A médica também destaca a falsa sensação de recuperação, especialmente após o parto natural ou devido ao efeito da analgesia no parto cesariano, e a pressão para o retorno da vida sexual antes da liberação médica. 

 

A especialista ressalta que esse repouso é importante para que o útero volte ao tamanho normal, ocorra a cicatrização da ferida placentária e de eventuais lacerações ou da incisão cirúrgica, além de reduzir o risco de hemorragias e infecções e favorecer o estabelecimento da amamentação, que exige um grande gasto energético do organismo. 

 

A especialista ressalta que esse repouso é importante para que o útero volte ao tamanho normal e ocorra a cicatrização da ferida placentária, a fim de reduzir o risco de hemorragias e infecções oportunas. Dessa forma, o corpo da mãe fica mais preparado para a amamentação, na qual exige um grande gasto energético do organismo. 

 

Aneris aponta que existe variação no ritmo de recuperação para partos naturais e cesáreas. “No parto natural, a recuperação costuma ser mais rápida. Se não houver lacerações graves, a mobilidade da mulher volta quase ao normal em poucos dias, embora a restrição de impacto e de relações sexuais permaneça pela cicatrização interna. Já a cesárea, por ser uma cirurgia de grande porte, exige um cuidado muito maior com esforço físico, agachamentos e pesos nos primeiros 20 a 30 dias para evitar a abertura dos pontos e hérnias incisionais”, esclarece. 

 

De forma geral, a recomendação médica é manter abstinência sexual e evitar esforços físicos intensos por cerca de 40 dias – período que originou o termo "quarentena". Esse intervalo corresponde, em média, ao tempo necessário para o fechamento completo do colo do útero e a interrupção do sangramento pós-parto. 

 

“As consequências podem ser graves e complicar o que deveria ser um momento de vínculo. A curto prazo, podem ocorrer hemorragias pós-parto por sobrecarga física, infecções uterinas (endometrite) ou na cicatriz da cesárea, devido à introdução de germes pela atividade sexual precoce ou pela falta de repouso. Além da abertura dos pontos da parede abdominal ou do períneo”, alerta a médica.  

 

Cuidados no pós-parto – Aneris aponta que os principais cuidados físicos no período são com a higienização, movimentação, alimentação e hidratação. A ginecologista recomenda higienizar a região perineal apenas com água e sabonete neutro após o uso do banheiro, secando o local delicadamente. No caso da cesárea, o curativo deve ser mantido limpo e seco.  

 

Também é importante evitar carregar peso superior ao do próprio bebê até a liberação médica. Por outro lado, caminhadas leves são indicadas desde os primeiros dias para reduzir o risco de Trombose Venosa Profunda (TVP). A alimentação deve ser rica em proteínas e fibras para favorecer a cicatrização e prevenir a constipação, além da ingestão abundante de água, essencial para a produção de leite materno. 

 

A especialista reforça ainda que alguns sintomas exigem avaliação médica imediata, como febre, sangramento com odor forte, dor intensa na panturrilha ou falta de ar. 

 

Resguardo e puerpério – Embora sejam frequentemente tratados como sinônimos, resguardo e puerpério têm significados diferentes. O puerpério é o termo médico utilizado para definir o período que se inicia logo após a saída da placenta e dura, tradicionalmente, cerca de seis semanas. No entanto, a ginecologista afirma que estudos mais recentes reconhecem que essa fase pode se estender por até um ano, considerando o tempo necessário para a recuperação hormonal e emocional da mulher. 

 

Já o resguardo corresponde ao conjunto de cuidados e restrições adotados principalmente nos primeiros 30 a 40 dias após o parto. "Podemos dizer que o resguardo é a aplicação prática e cultural dos cuidados da fase inicial do puerpério", explica Aneris.  

 

Além da recuperação física, o puerpério também é marcado por intensas alterações hormonais. A queda brusca dos níveis de progesterona e estrogênio pode provocar o chamado baby blues, quadro de tristeza transitória que acomete até 80% das mulheres nas duas primeiras semanas após o parto, de acordo com a ginecologista. Quando os sintomas persistem ou se intensificam, pode ser um sinal de depressão pós-parto e exige acompanhamento profissional. 

  

Para a médica, a presença de uma rede de apoio faz toda a diferença nesse período. "O papel da rede de apoio não é apenas segurar o bebê enquanto a mãe realiza as tarefas da casa. É cuidar da mãe. Isso significa assumir atividades domésticas, organizar as visitas para que ela consiga descansar e oferecer acolhimento emocional, sem julgamentos”, conclui. (*) Ascom


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