Pesquisadores brasileiros descobrem proteína que pode se tornar alvo no combate ao câncer

Estudo do Instituto Butantan, USP e Unicamp aponta que a proteína RASGRP4 é essencial para o crescimento de tumores e pode abrir caminho para novos tratamentos.


Foto: Pexels-polina-tankilevitch via CNN

Imagem meramente ilustrativa, 


Uma pesquisa desenvolvida por cientistas do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificou uma proteína que pode representar um importante avanço no desenvolvimento de novas terapias contra o câncer. As informações são da
Agência Fapesp, por meio da jornalista Thabata Oliveira. 


O estudo, publicado na revista científica Scientific Reports, revelou que a proteína RASGRP4 (Proteína 4 liberadora de nucleotídeos de guanina Rasdesempenha um papel fundamental na ativação da via molecular do gene KRAS (homólogo do oncogene viral do sarcoma de rato Kirsten), associado ao crescimento de diversos tipos de tumores.


Segundo a reportagem, durante os experimentos, os pesquisadores utilizaram a técnica de edição genética CRISPR-Cas9 (Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Espaçadaspara remover a proteína de células cancerosas. Em testes realizados com camundongos, a ausência da RASGRP4 reduziu significativamente a formação de tumores. Em quatro dos seis animais analisados, nenhum tumor se desenvolveu durante o período de observação de 60 dias.


A pesquisa combinou modelagem matemática, simulações computacionais e experimentos laboratoriais para identificar a proteína como um fator indispensável para a ativação do KRAS, um dos genes mais relacionados ao desenvolvimento de cânceres.


De acordo com os pesquisadores, a descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais específicos. Em vez de bloquear diretamente o KRAS — proteína que também exerce funções importantes em células saudáveis —, uma alternativa seria inibir a RASGRP4, reduzindo a atividade da via responsável pelo crescimento tumoral.


A equipe pretende agora ampliar os estudos em modelos mais próximos dos tumores humanos para avaliar o potencial terapêutico da proteína em diferentes tipos de câncer.


O trabalho foi conduzido no Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinalização Celular (CeTICS), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e contou com apoio da fundação por meio de diferentes projetos de pesquisa.

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