Com referência a "onda azul", PL oficializa Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência em convenção

Senador promete “resgatar o Brasil” e dar continuidade ao projeto do pai, enquanto partido negocia vice e busca ampliar alianças. 


Foto/Reprodução: Facebook/Partido Liberal


O Partido Liberal (PL) tornou oficial, neste sábado (25), o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República. O anúncio aconteceu durante a convenção nacional da legenda, realizada na Arena Pacaembu, em São Paulo, com a presença de lideranças conservadoras e discursos que exaltaram a união da direita e criticaram o atual governo. As informações são do portal R7. 


O evento, que começou por volta das 11h15, teve tom de “guerra eleitoral”. Em seu discurso, Flávio Bolsonaro classificou a eleição de 2026 como uma “luta do bem contra o mal” e afirmou que pretende honrar o legado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem disse ter herdado a missão de continuar o projeto político iniciado em 2018.


Flávio se emocionou ao falar sobre o pai, que está impedido por medidas cautelares do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter contato com aliados. O senador chamou Jair Bolsonaro de “maior e mais injustiçado líder político brasileiro” e afirmou que ele é vítima de “perseguição”. “Deus queira que vocês nunca tenham um pai perseguido como ele está sendo”, disse, prometendo: “Pai, você vai colocar essa faixa de presidente em mim no ano que vem.”


Sem citar nomes, Flávio também fez críticas ao Judiciário, mencionando “abusos” e “perseguições a inocentes” no país.


Apesar da oficialização da candidatura, o PL ainda não anunciou quem será o vice na chapa. O partido está em negociações com o Republicanos e com a federação União-PP (formada por União Brasil e Progressistas) para ampliar a aliança eleitoral. O prazo para definição das chapas termina em 5 de agosto.


A convenção contou com mensagens gravadas de apoiadores internacionais. O presidente da Argentina ,Javier Milei, presente no evento, declarou apoio a Flávio, chamou Jair Bolsonaro de “grande amigo” e alertou: “Os esquerdistas vão jogar duro. Preparem-se para uma grande batalha”. O presidente de Israel, Benjamin Netanyahu, também enviou um vídeo parabenizando o senador pela candidatura.


A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não compareceu pessoalmente, mas participou por meio de um vídeo. Ela defendeu a participação feminina na política e desejou sucesso à campanha. A participação ocorre dias após os dois resolverem um desentendimento público ocorrido em junho. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também enviou uma mensagem de apoio e justificou a sua ausência.


Já o ex-presidente Jair Bolsonaro não esteve presente devido às restrições judiciais, mas apareceu em um vídeo produzido com inteligência artificial, pedindo que os apoiadores recebam “de braços abertos” o nome escolhido por ele.


Em discurso na convenção, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, definindo-o como a continuidade do legado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Tarcísio afirmou que Flávio será "o maior presidente da história" e manifestou tristeza pela ausência do ex-presidente no evento. Ele criticou a situação atual do país, dizendo que o Brasil "desandou", mas reafirmou que o país tem jeito. O governador também atribuiu o sucesso de São Paulo ao fato de a esquerda nunca ter governado o estado, e reforçou seu papel como pré-candidato à reeleição.


O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), presente no evento, defendeu a criação de uma “onda azul” – referência ao movimento conservador na América Latina – para eleger governadores e ampliar a força da direita no Senado. 


Entre as principais propostas de Flávio Bolsonaro para a campanha estão:

- Endurecimento de penas para crimes como roubo de celulares;

- Ampliação dos presídios federais;

- Expansão das escolas cívico-militares;

- Uso de inteligência artificial para reduzir filas no INSS.


Próximos passos


Com a candidatura oficializada, o PL agora corre contra o tempo para definir o vice e consolidar alianças. O senador, que disputa a Presidência pela primeira vez, terá pela frente uma eleição que, segundo ele próprio, será uma “grande batalha” – com direito a apoio internacional e a tentativa de unir o campo conservador brasileiro.

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