A saúde da mulher envolve um cuidado integral ao longo de todas as fases da vida. O acompanhamento ginecológico é parte essencial desse processo contínuo e não possui uma idade rígida para começar. Especialistas indicam que o início das consultas pode ocorrer a partir da menarca, a primeira menstruação, ou diante dos primeiros sinais da puberdade.
A ginecologista Aneris Colla, da Hapvida, destaca que a prevenção é um dos pilares da saúde feminina, e a vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano) desempenha papel relevante nesse contexto. Segundo a especialista, o vírus está associado ao desenvolvimento do câncer de colo do útero, um dos mais incidentes entre mulheres no Brasil, além de outras lesões genitais.
A vacina contra o HPV é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para públicos específicos. Entre eles estão meninas e meninos de 9 a 14 anos, que recebem dose única, conforme atualização recente que busca ampliar a cobertura vacinal. A vacinação também é indicada para vítimas de violência sexual, na faixa etária de 9 a 45 anos, desde que não tenham sido imunizadas, além de pessoas imunossuprimidas, como aquelas que vivem com HIV/AIDS, pacientes transplantados ou em tratamento oncológico, que devem seguir o esquema de três doses.
Climatério e menopausa - Outro ponto de atenção à saúde da mulher é o climatério e a menopausa. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aproximadamente 30 milhões de mulheres no Brasil vivem na faixa etária do climatério e da menopausa. Aneris afirma que os termos ainda geram dúvidas, mas são conceitos distintos dentro da saúde da mulher.
“O climatério corresponde a toda a fase de transição do período reprodutivo para o não reprodutivo, iniciando-se com as primeiras alterações hormonais e podendo se estender até a fase mais avançada da vida. Já a menopausa é um marco específico, pois se trata da última menstruação, confirmada apenas após doze meses consecutivos sem o ciclo menstrual”, esclarece a ginecologista.
Durante a menopausa, a redução na produção de estrogênio provoca uma série de mudanças no organismo. Entre os sintomas mais comuns estão os fogachos, conhecidos como ondas de calor, que surgem de forma repentina e podem vir acompanhados de suor noturno e calafrios. Também são frequentes as alterações no ciclo menstrual, que se torna irregular antes de cessar completamente, além do ressecamento vaginal, que pode causar desconforto nas relações.
“Além das manifestações físicas, o climatério também impacta a saúde emocional e metabólica, sendo frequentes as queixas de instabilidade de humor, irritabilidade, ansiedade e distúrbios do sono, como a insônia”, afirma a especialista.
Tratamento e qualidade de vida - A terapia de reposição hormonal pode ser uma alternativa para aliviar os sintomas do climatério, desde que indicada e acompanhada por um profissional de saúde. “De acordo com consensos da FEBRASGO e diretrizes do Ministério da Saúde, a reposição hormonal é indicada principalmente para o alívio de sintomas vasomotores, como os fogachos, quando há impacto na qualidade de vida”, explica.
Entretanto, Aneris aponta que, apesar dos benefícios, nem todas as mulheres podem realizar a terapia hormonal, sendo contraindicado em casos como histórico ou diagnóstico de câncer de mama ou de endométrio, sangramento vaginal de causa desconhecida, doenças hepáticas graves e doenças cardiovasculares como infarto, Acidente Vascular Cerebral ou trombose.
Além das abordagens terapêuticas, a adoção de hábitos saudáveis é fundamental para o bem-estar durante essa fase. A prática regular de atividade física, especialmente a combinação de exercícios aeróbicos e de resistência, contribui para a saúde cardiovascular e a manutenção da massa óssea. Evitar o tabagismo também é importante, já que o cigarro pode antecipar a menopausa e aumentar riscos à saúde.
“A alimentação equilibrada também tem papel relevante, com destaque para o consumo de alimentos ricos em cálcio e vitamina D. Reduzir sal, gorduras, cafeína e álcool pode ajudar no controle de sintomas como as ondas de calor. Além disso, cuidar da saúde mental e da qualidade do sono é essencial”, orienta.
Para o conforto íntimo, a especialista destaca que hidratantes e lubrificantes vaginais à base de água podem ser alternativas úteis, especialmente para mulheres que não podem realizar reposição hormonal.
Manter as consultas de rotina e os exames em dia é fundamental para um acompanhamento adequado, contribuindo para a identificação precoce de alterações e promovendo mais qualidade de vida em todas as fases. (*) Ascom

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