Divisão da oposição esvazia atos contra o governo Bolsonaro após 7 de setembro

O PT, movimentos sociais ligados ao partido e o PSOL decidiram não participar. 

MBL em São Paulo. Foto: Edilson Dantas / O Globo. 
As manifestações pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ocorreram neste domingo em ao menos 13 capitais brasileiras e no Distrito Federal, mas a divisão da oposição acabou esvaziando o primeiro protesto contra o governo após os atos antidemocráticos de apoio ao presidente no 7 de setembro. Inicialmente, a mobilização — convocada pelo Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Livres — pretendia fazer um protesto com o mote "Nem Bolsonaro, nem Lula", em apoio a uma terceira via nas eleições de 2022. Ao longo da semana, porém, num sinal para receber a adesão de outras siglas de esquerda, o grupo concordou em fazer um protesto apenas pedindo a saída de Bolsonaro do cargo. No entanto, o PT, movimentos sociais ligados ao partido e o PSOL decidiram não participar.

Na Avenida Paulista, o ato reuniu pré-candidatos à Presidência de diversos campos políticos, como o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o governador de SP, João Doria (PSDB) e o ex- presidente do Novo, João Amoedo. A avenida não chegou a ser totalmente interditada, e a maior concentração de pessoas era num trecho de cerca de 500 metros entre os prédios da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Museu de Artes de São Paulo (Masp). Um boneco inflável com Bolsonaro e Lula abraçados — e o petista usando roupa de presidiário, chegou a ser erguido ao lado do carro de som.

O ex-ministro Gomes defendeu uma aliança de "quem for democrata" e, em um aceno ao PT, que não aderiu aos atos deste dia 12, disse que "ainda há tempo" para a sigla integrar o movimento.

— Para fazer o impeachment e proteger a democracia brasileira temos que juntar todo mundo. Ainda há tempo para o PT amadurecer. Quem for democrata tem que entender que o impeachment é a a única saída. Precisamos fazer um acordo com a direita e um centro democrático — disse.

Em São Paulo, Ciro Gomes participou do ato pelo impeachment de BolsonaroEm São Paulo, Ciro Gomes participou do ato pelo impeachment de Bolsonaro Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Outro presidenciável no ato, o governador de São Paulo João Doria (PSDB) participou pela primeira vez de uma manifestação contra Bolsonaro e admitiu a possibilidade de fazer uma ponte com o PT.

— Temos que estar junto para formar uma grande frente democrática. Pela defesa da liberdade, dos valores, da constituição e da comida no braço e vacina no prato.

Além de Doria e Ciro, também compareceram ao ato o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), os senadores Simone Tebet (MDB-MS) e Alessandro Vieira (Cidadania (ES), os deputados federais Tabata Amaral (sem partido-SP), Joice Hasselmann (PSL-SP), Orlando Silva (PCdoB-SP), Kim Kataguiri (DEM-SP) e Marcelo Ramos (PL-AM), os deputados estaduais Isa Penna (PSOL-SP) e Arthur do Val (Patriota-SP), o presidente da Força Sindical, Miguel Torres.

No Rio, os manifestantes ocuparam um quarteirão da Avenida Atlântica, em Copacabana. Cartazes e camisas de participantes estampam frases como “#Nem Lula Nem Bolsonaro” e “Nem um dos dois em 2022”. De cima do carro de som, os organizadores do MBL ressaltaram que todos são bem-vindos, independente da ideologia política ou candidato.

— A pauta é única, fora Bolsonaro. O mote hoje é respeitar as opiniões, e claro que a opinião central é essa — discursou Cadu Moraes, coordenador do MBL no Rio de Janeiro.

Um grupo de manifestantes carregava a bandeira do PCdoB. Leonardo Guimarães, estudante de 29 anos e secretário de movimentos sociais do partido, contou que a decisão de participar do ato ocorreu após o 7 de setembro.

— Entendemos que deveríamos participar para unir os setores e aprovar o impeachment que hoje é necessário. E para isso somente a esquerda não é suficiente — afirmou.

Em Brasília, um grupo de cerca de mil pessoas que inclui desde militantes do PCdoB a grupos liberais como MBL e Livres também se juntou para se manifestar contra o governo Bolsonaro. Os manifestantes se concentraram na Esplanada dos Ministérios.

A pedido das lideranças, a maioria dos participantes foi ao ato usando a cor branca. Nos discursos, realizados de um trio elétrico, os representantes dos movimentos também valorizaram a união de diversos grupos apesar das divergências ideológicas e pediram o impeachment do presidente Bolsonaro.

Alguns manifestantes levaram faixas em que cobravam punição à família Bolsonaro pelos escândalos de corrupção em que estão envolvidos e defendendo os ministros do Supremo Tribunal Federal, que foram atacados repetidamente pelo presidente nas últimas semanas. Em uma delas, havia os dizeres “Quem tem medo da Justiça é bandido”. Outras faixas cobravam outros aliados de Bolsonaro, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que é o responsável pela abertura ou não de um processo de impeachment.

Na capital pernambucana, o ato começou às 13h, no Marco Zero. Ao menos 11 movimentos políticos participaram da manifestação. Segundo o G1, o grupo entoava o grito “se o povo se unir, Bolsonaro vai cair”. Os manifestantes também fizeram alertas pelas mortes por Covid-19 no Brasil. A dispersão dos participantes ocorreu às 15h30.

No Nordeste, houve protesto também em João Pessoa. Um grupo de manifestantes se reuniu na orla de Tambaú. Num carro de som, lideranças pediram impeachment do presidente e fizeram discursos contra a corrupção.

Em Florianópolis, os participantes cantaram o hino nacional, criticaram o desemprego, a inflação, lembraram as mortes causadas pela Covid-19 e também pediram a saída do presidente Bolsonaro do poder.

Em Curitiba, o ato começou à tarde e foi convocado pelo partido Novo, com o apoio das legendas PDT, PSDB e PCdoB. A maioria dos manifestantes vestia camisetas brancas e estendeu faixas pedindo o impeachment de Bolsonaro e o combate à pandemia da Covid-19. O encontro foi realizado na Rua XV de Novembro, no Centro da capital.

Em Fortaleza, o ato começou por volta de 15h30. O protesto é realizado na Praça Portugal, no bairro Aldeota. Também vestidos de branco, os manifestantes exibem faixas e gritam "fora Bolsonaro".

Já em Goiânia, um grupo se reuniu em frente à sede da Polícia Federal e interditou os dois sentidos da Alameda Coronel Eugênio Jardim, no Setor Bela Vista. No Espírito Santo, a manifestação começou às 9h30 na Praça do Papa, em Vitória. Os manifestantes saíram em carreata até Vila Velha, por volta das 10h20. Embed

Em Belo Horizonte, o encontro foi na Praça da Liberdade durante o período da manhã. Além de pedir a saída de Bolsonaro, o grupo também defendeu uma "terceira via" na eleição de 2022. A Polícia Militar acompanhou o ato e nenhuma ocorrência foi registrada.

Em Belém, a manifestação foi realizada no bairro Reduto, centro da cidade. A adesão não foi expressiva, mas o grupo presente estendeu faixas e bandeiras pedindo o impeachment do presidente. (*) Extra


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