Presidenciável: Doria mantém apoio em SP, mas divide palanque nacional

Foto: Folhapress / Danilo Verpa. 
Base do projeto eleitoral de João Doria (PSDB) para a Presidência, o tripé PSDB-DEM-MDB sofreu abalos com o rompimento de ACM Neto, presidente do DEM, no dia 14, e a chegada do MDB à Prefeitura de São Paulo, após a morte de Bruno Covas (PSDB), no dia 16.

Mesmo com as novas circunstâncias, após os primeiros dias de acomodação de Ricardo Nunes na cadeira de prefeito, aliados locais nesses partidos afirmam manter a fidelidade a Doria, o que possibilita a ele e ao seu vice, Rodrigo Garcia (PSDB), palanque e alianças no estado de São Paulo.

Doria patrocinou a migração de Garcia do DEM para o PSDB, no último dia 14, com a intenção de lançá-lo a sua sucessão no Palácio dos Bandeirantes. Caciques do DEM e do MDB de São Paulo afirmam que o compromisso de apoiar Garcia segue firme.

Mas, quando o assunto é o apoio nacional dessas siglas a uma candidatura presidencial de Doria, a conversa muda.

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto já declarou que não vai endossar o tucano, em retaliação por considerar que a filiação de Garcia foi obra da pressão do governador.

Pelo Twitter, ACM Neto afirmou que a "inabilidade política" de Doria "tem lhe rendido altíssima rejeição e afastado os seus aliados". "A postura desagregadora do governador de São Paulo amplia o seu isolamento político, e reforça a percepção do seu despreparo para liderar um projeto nacional", completou.

Já o presidente do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP), é um dos principais aliados de Doria, mas comanda um partido fragmentado e que não costuma ter uniformidade em diferentes regiões.

Internamente, DEM e MDB avaliam liberar cada diretório estadual a apoiar o candidato que quiserem, o que obrigaria Doria a dividir com outros presidenciáveis os apoios nesses partidos.

Num cenário de indefinição a mais de um ano da eleição, os partidos também têm entre seus membros defensores da terceira via, entusiastas de candidaturas próprias e parte da bancada alinhada ao governo Jair Bolsonaro --no MDB, líderes do Nordeste são próximos de Lula (PT).

Mas, entre os auxiliares de Doria, a expectativa é que MDB e DEM integrem formalmente a coligação do tucano, o que lhe daria uma série de palanques em diversos estados e ampliaria seu tempo de TV. Isso, é claro, se o governador for mesmo candidato, o que depende das prévias previstas pelo PSDB.

Em São Paulo, Nunes tem dado sinais de que irá honrar as alianças partidárias acertadas com Covas e que influenciaram sua escolha como vice no ano passado -o que significa jogar no time de Doria.

Baleia tem defendido que o partido se mantenha distante da polarização entre Lula e Bolsonaro e busque lançar ou apoiar um candidato da terceira via. Mesmo nesse campo, há competição por apoio entre Doria e outros nomes, como Sergio Moro (sem partido), Luciano Huck (sem partido), Luiz Henrique Mandetta (DEM), Danilo Gentilli (sem partido), João Amoêdo (Novo), além dos tucanos Eduardo Leite e Tasso Jereissati.

Lula, por sua vez, já iniciou a aproximação com o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e José Sarney (MDB), com quem se encontrou neste mês.

Como mostrou a Folha, Nunes, com a morte de Covas, terá que acomodar pedidos e pressões de diferentes grupos que compõem a administração municipal e a base na Câmara --o MDB, o DEM, a ala ligada a Doria do PSDB e o núcleo duro de Covas, que por ora está mantido nas secretarias.

A adesão do MDB ao projeto de Doria e Garcia começou a ser costurada com a indicação, via Doria, de Nunes para a chapa de Covas, com a concordância de Baleia e de Milton Leite, presidente da Câmara e cacique do DEM em São Paulo.

Recentemente, Doria também abriu espaço para o partido em sua administração, com a indicação do deputado estadual Itamar Borges (MDB) para a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que tem influência no interior.

Por isso, membros do MDB e do PSDB em SP acreditam que o acordo já está pactuado mesmo com o novo tamanho do MDB no estado -que de 3 deputados estaduais, 2 federais e 3 vereadores agora passa a comandar a principal cidade do país. A leitura é que a condição atual de Nunes, em vez de ameaçar Doria e provocar nova barganha com o governador, favorece o tucano.

Membros do MDB afirmam ainda que, de certa forma, Nunes retribui a Doria o apoio na eleição municipal, além de salientarem que o partido não tem condições e quadros para varrer o PSDB da administração municipal.

Outra razão para a boa convivência entre os partidos no estado é o atendimento, por parte do governo Doria, a prefeitos do MDB, o que favorece a estratégia da sigla de eleger mais deputados federais pelo interior e, assim, obter fatia maior do fundo eleitoral.

Tucanos lembram ainda do apoio de Doria a Baleia na eleição da presidência da Câmara, quando o emedebista perdeu para o candidato de Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL).

Aliados de Doria afirmam que Nunes tem dado demonstrações de fidelidade. A expectativa, no entanto, é que o prefeito, com o tempo, faça mudanças para abrigar nomes da sua confiança.

Na segunda-feira (17), Nunes falou em continuidade e se definiu politicamente na terceira via. "É uma postura de centro. Abominamos o radicalismo, tanto de esquerda, como de direta. É de centro, de diálogo, de convergência."

Questionado sobre quem irá apoiar nas eleições estadual e presidencial, desconversou. "Isso não está definido. O foco é cuidar da cidade. [...] Não estou preocupado com a eleição do ano que vem.""

Na tentativa de controlar essa variável, o PSDB já convidou Nunes a se filiar ao partido. A proposta estava na mesa desde antes da morte de Covas, mas a insistência agora é tida como delicada pelo possível desgaste com o MDB.

Leite também ressalta que a morte de Covas não deve trazer impactos políticos por enquanto. "Não muda nada. A base que montamos é dos dois", afirmou ao Painel.

No DEM, são discutidas opções presidenciais que casem com o projeto de ACM Neto de concorrer ao Governo da Bahia, como uma candidatura de Mandetta. E há o entendimento de que, caso o PSDB lance outro nome que não Doria, há mais chances de aliança.

Enquanto isso, a ala governista do DEM, que ficou evidente na eleição para a presidência da Câmara, força o partido na direção de Bolsonaro.

Já dirigentes do DEM em São Paulo afirmam de forma reservada que, mesmo com o rompimento de ACM Neto, se mantêm embarcados no projeto de Garcia e que, se isso inclui ter que apoiar a eleição nacional de Doria, também abraçarão essa causa.

Auxiliares do governador dizem acreditar ser possível reverter a briga e retomar a parceria histórica entre as siglas. A avaliação é que ACM se manifestou no calor do momento e que Doria não pode ser culpado pela filiação de Garcia, já que outras alas do tucanato também o convidaram.

No entanto, uma possível filiação do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao DEM para disputar o governo de São Paulo contra Garcia, hipótese discutida nos bastidores, acabaria com as chances de reaproximação com Doria.

Desde 2002, o DEM (antigo PFL) compõe a coligação do PSDB ao Governo de São Paulo. A aliança nacional entre os dois partidos vem desde 1994. (*) Yahoo, com Folhapress

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