Vacina de Oxford é segura e protege contra Covid-19, conclui estudo de fase 3

Imunizante protege contra quadros sintomáticos em 70% dos casos, com eficácia de 62% para quem recebeu duas doses completas e de 90% para aqueles que receberam meia e, então, uma dose. 

Foto: Pixels. 
A vacina de Oxford, testada no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil, é segura e e protege contra o novo coronavírus, segundo o primeiro estudo de fase 3 divulgado nesta terça-feira (8) no The Lancet. A pesquisa revelou que o imunizante protege contra quadros sintomáticos em 70% dos casos, com eficácia de 62% para aqueles que receberam duas doses completas e de 90% para aqueles que receberam meia e, então, uma dose.

“O controle da pandemia só será alcançado se o licenciamento, a fabricação e a distribuição dessas vacinas puderem ser alcançados em uma escala sem precedentes e a vacinação for implementada para aqueles que são vulneráveis", afirmou Andrew Pollard, da Universidade de Oxford, Reino Unido, em declaração à imprensa. "Nossos resultados indicam que a eficácia de nossa vacina superar os limites estabelecidos pelas autoridades de saúde e pode ter um impacto potencial na saúde pública."

Os autores analisaram dados de quase 23.745 voluntários, dos quais metade recebeu a vacina e a outra metade recebeu um tipo de placebo. Durante o período de quase três meses e meio em que foram monitorados, apenas três participantes apresentaram eventos adversos graves possivelmente relacionados aos teste, sendo que um havia tomado a vacina, outro o placebo e o terceiro ainda não se sabe de qual grupo (vacina ou placebo) pertence. Os três se recuperaram bem.

Quanto à eficácia do imunizante, os cientistas focaram na análise de um subgrupo de quase 12 mil participantes do Reino Unido e do Brasil. Foram considerados apenas os casos que ocorreram até duas semanas após a aplicação da segunda dose do medicamento. Foi assim que a equipe chegou à conclusão de que o imunizante protegeu as pessoas contra quadros sintomáticos em 70% dos casos, com eficácia de 62% para aqueles que receberam duas doses completas e de 90% para aqueles que receberam meia e então uma dose. 

"Como o recrutamento de adultos mais velhos começou mais tarde do que em adultos mais jovens, houve menos tempo de acompanhamento para esse grupo e menos tempo para acumular casos de Covid-19", afirmou Merryn Voysey, coautora do estudo. "Isso significa que temos que esperar mais para ter dados suficientes para fornecer boas estimativas de eficácia da vacina em subgrupos menores."

Os cientistas destacam que 21 dias após a primeira dose, 10 casos de hospitalização por Covid-19 haviam sido registrados, todas no grupo controle (placebo), e dois foram classificados como graves, incluindo um óbito. Além disso, os autores afirmam que ainda não são capazes de avaliar o quanto dura a proteção promovida pelo imunizante, já que os testes começaram há poucos meses.

Em um comentário sobre o estudo, também publicado no The Lancet, Maria Deloria Knoll e Chizoba Wonodi, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, afirmam que todo cuidado é pouco na avaliação de possíveis imunizantes, mas destacam que os avanços são inovadores. "Com uma gama de fabricantes, um investimento global muito grande em produção e cooperação em aquisição e distribuição, parece provável que 2021 veja as vacinas Covid-19 disponíveis para todos os países do mundo", escreveram. "Talvez no próximo ano, possamos comemorar o controle global da Sars-CoV-2, pessoalmente." (*) Revista Galileu


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