Candidato a prefeito em cidade do Maranhão é acusado de matar o pai

Pai era ex-prefeito; entre rivais de agora ao cargo está o próprio irmão. 

Pai e filho durante a campanha eleitoral de 2016. Foto: Reprodução. 
O empresário Manoel Mariano de Sousa Filho, 51 anos, é candidato a prefeito de Barra do Corda, em Maranhão, pelo PSC. O cargo já foi exercido três vezes pelo pai do candidato, uma história comum pelo Brasil. Mas dessa vez há algo bem diferente. Manoel é acusado de matar o pai, crime ocorrido em 2017, e disputa a prefeitura contra um irmão, o deputado estadual Rigo Teles (PV). A informação é do Uol.

Conhecido como Júnior do Nenzim, Manoel traz no nome a referência ao pai, Manoel Mariano de Souza, o Nenzim, que foi morto aos 78 anos em 6 de dezembro de 2017, com um tiro à queima roupa no pescoço.

O ex-prefeito Manoel estava em casa quando o filho foi buscá-lo para levar para uma conversa com o advogado da família. No caminho, a caminhonete com os dois parou em uma rua deserta. Júnior diz que o pai pediu que ele parasse porque precisava urinar. Ele teria sido baleado nesse momento e que ele sentiu uma pancada no carro, mas achou inicialmente qu eo pai passava mal. 

Ele contou que ligou para o advogado dizendo que o pai não estava bem e só no caminho para casa dele que percebeu "um pouquinho de sangue" saindo do ouvido do pai, que também vomitava. Na casa do advogado, esse assumiu a direção do carro. Eles passaram ainda em um posto de gasolina, onde o motorista da família passou a conduzir a caminhonete. Só então foram para uma UPA. 

O ex-prefeito ainda foi transferido para um hospital de cidade vizinha, mas morreu no caminho. 

Outra versão

O Ministério Público acredita que a versão do filho é falsa e que é insustentável ele afirmar que não percebeu que o pai havia sido baleado. A investigação apontou intervalo de 40 minutos entre o momento do tiro e a chegada à UPA. Diz ainda que o carro passou por limpeza completa em um lava-jato. Quando o veículo foi apreendido, o banco do passageiro havia sido retirado "porque estava encharcado de sangue", diz o inquérito.

As investigações mostram que Júnior furtava gado das fazendas do pai por conta de dívidas adquiridas durante uma candidatura à prefeitura em 2016 - ele perdeu para Eric Costa (PCdoB). 

Na manhã do crime, o pai queria fazer uma recontagem do gado com o filho. Chegou a contratar um outro vaqueiro para o trabalho. Para o MP, o filho resolveu matar o pai para evitar ser desmascarado.

Uma ordem de prisão contra Júnior foi expedida no dia do velório de Nenzim. Ao saber disso, Júnior saiu de lá e não acompanhou o sepultamento do pai. Mesmo assim, foi preso dias depois. Ele ficou na Penitenciária de Pedrinhas, em São Luís, até outubro de 2019, quando recebeu habeas corpus para responder em liberdade. O tribunal de júri do caso ainda não tem data marcada e, enquanto isso, Júnio registrou sua candidatura a prefeito na Justiça Eleitoral.

Ele alega não ter nenhum impedimento para se candidatar, já que ainda não foi condenado. Sua candidatura ainda aparece como "aguardando" no sistema da Justiça Eleitoral - ou seja, ainda não foi deferida.

Júnior não comentou o caso agora. Ao sair da cadeia, divulgou nota afirmando que não matou o pai. Ele disputa a prefeitura com o irmão, o deputado Rigo Teles (PV), com Gil Lopes (PCdoB), apoiado pelo atual prefeito, e Adão Nunes (PSL). (*) Correio24Horas


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