Tambor, a rua em que eu morava e o asfalto que moderniza 55 anos de história - Por Percinaldo Toscano

Rua Mal. Deodoro da Fonseca (Rua do Tambor). Foto: Edição / Plugados. 
Era final de 1964 quando o prefeito João Pimentel Filho iniciava a pavimentação em paralelepípedos da Rua Deodoro da Fonseca, chamada por outros de Rua do Tambor, em referência a uma frondosa árvore existente no logradouro. Localizada no centro da cidade, na lateral do Colégio da Luz, a Rua do Tambor já mostrava sua importância para o contexto urbano da pequena Guarabira.

Recordo-me com muita precisão de seu relevo, ladeira de um lado, dando acesso a Rua Clemente Pereira, ladeira do outro lado dando acesso ao chafariz e garagem das poucas máquinas e alguns animais pertencentes a prefeitura municipal. No encontro das duas ladeiras uma planície, onde jogávamos futebol. Lá estavam eu, Paulo de Porcina, Zizo e Mazinho de D. Ednalva, Geovane de Sr. Gerson, Vanderlei de Sr. Dú, Tarcísio de Chico Costa, Jonas de Araçagi, irmão de Teófila, Paulo e Roberto de D. Terta, Toinho Camburão, Calcélio Toscano, os irmãos Teixeira e tantos outros que vez por outra nos visitavam.

 Recordo com particularidade de Seu Antenor e Seu Grude, responsáveis pela coleta do lixo em seus carroções, movidos por tração animal. 

Da janela de minhas memórias, acompanho o posicionamento das pedras cobrindo o chão de barro vermelho e poeirento, o tilintar do martelo sobre os paralelepípedos, formando um grande tapete para o passear dos moradores. Nas portas, os moradores observavam o trabalho dos operários, demonstrando sua alegria com aquela tão importante obra. Por que não lembrar da professora Severina Rodrigues e Sr. Gerson Nunes, Dona Ziza, Sr. Damásio e D. Dosanjos, embalando sonos infantis com sons advindo de seu violão e suas canções. Dona Maria Neri, o mecânico Zé Reduzido, Ten. Temístocles, Nadinho Toscano, Dona Maria José Parteira, que muito contribuiu com o nascimento de muitas crianças, Sr. Severino do Óleo, beato solteirão que vendia óleos perfumados na cidade e zona rural do município, Severino Nunes e Dona Silvia, oriundos de Araçagi, comerciantes de miudezas estabelecidos no mercado central da cidade. Ah... e Dona Lalú bradando com quem passava na rua, xingando a mãe dos meninos peraltas. Lembro de Maria Chica, criatura amável, mas insuportável com as crianças jogando futebol próximo a sua casa. O pintor Pedro Carcará, sempre o preferido pelas Irmãs freiras para pintar o Colégio da Luz, lembro de Zé Moura e Dona Porcina, Dona Nina e Sr. Josias, Sr. Dú Costa, que muitas vezes nos levou para Baia da Traição em seu caminhão chevrolet modelo 1962.

Passados 55 anos, a Rua do Tambor ressurge com a mesma alegria, desta vez recebendo da gestão Zenóbio/Marcus Diogo uma camada asfáltica, tendo alguns moradores como testemunho das duas ações e aqui eu cito professora Severina Rodrigues e  seu esposo Gerson Nunes, Dona Ziza Lourenço e Sr. Pedro Carcará.

A Rua da minha infância também cresceu, modernizou-se, no lugar de pequeninas casas alguns primeiros andares, os velhos carroções coletores de lixo foram engolidos pelo tempo e substituídos pelos caminhões mecânicos e o calçamento cedeu lugar a manta asfáltica dos novos tempo. A rua do tambor se transformou e eu continuo revivendo a infância que ali vivi. Ahhh o tempo!

(*) Percinaldo Toscano (Professor e Historiador)


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