Bolsonaro demite Weintraub do Ministério da Educação

Abraham Weintraub deve ser indicado para um cargo no Banco Mundial. 
Jair Bolsonaro e Abraham Weintraub. Foto: Evaristo Sá / AFP / Getty Imagens. 
O presidente Jair Bolsonaro demitiu o ministro da Educação, Abraham Weintraub, nesta quinta-feira (18), após diversas polêmicas envolvendo o ministro. O Palácio do Planalto discute a possibilidade de indicar um ministro interino para o Ministério da Educação. Já Abraham Weintraub deve ser indicado para um cargo no Banco Mundial.

No domingo, ele participou de um protesto onde reiterou ofensas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Sem máscara, como exige um decreto do governo do Distrito Federal, ele gerou aglomerações e volta a fazer afirmações polêmicas. 

Questionado por bolsonaristas sobre o pagamento de impostos a políticos corruptos, disse que já tinha falado sua opinião sobre os “vagabundos”, em uma referência a sua declaração na reunião ministerial do dia 22 de abril, que tornou-se pública com a divulgação do vídeo pelo STF.

“Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando pelo STF”, disse no encontro.

Weintraub está sendo investigado no inquérito das fake news conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele também é investigado por declarações racistas em relação aos chineses.

A saída dele faz parte de uma trégua que está sendo construída por interlocutores de Jair Bolsonaro com os demais poderes.

A relação do ex-ministro com o Congresso também foi uma das justificativas da demissão. 

Na semana passada, o Senado devolveu a medida provisória que dava ao chefe da Educação o direito de escolher reitores de universidades federais durante a pandemia da Covid-19.

Foi a segunda tentativa do governo de interferir na autonomia das universidades. Em 2019, o Executivo editou a medida provisória 914, que também tratava do processo de escolha dos reitores. A matéria perdeu a validade, por não ter sido votada, assim como a MP que no ano passado tentou criar a carteirinha digital gratuita para os estudantes.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dizia abertamente ser “uma pena para o Brasil ter um ministro desqualificado” como Abraham Weintraub. Segundo o deputado, um “homem com essa qualidade não poderia ser ministro de pasta nenhuma”.

Outra derrota foi o adiamento do Enem. O então ministro relutou em adiar a prova, acusou a oposição de querer sabotar o exame e chegou a escrever no Twitter que governadores deveriam “planejar o retorno das aulas, tirar as nádegas da cadeira e rebolar atrás do prejuízo!” 

O assunto foi levado ao Senado por meio de um projeto de lei que previa o adiamento do Enem. Weintraub foi derrotado por um placar de 75 votos a um. Apenas Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) ficou a seu lado.

Ao mesmo tempo, o desempenho de Weintraub à frente da pasta da Educação também é motivo de críticas - dentro e fora do governo.

Cerca de três meses depois do início do fechamento de escolas por causa do coronavírus, o Ministério da Educação não realizou ações específicas para ajudar as redes a garantir o aprendizado no período.

“Nada foi feito. A atuação dele foi justamente na contramão, foi de lavar as mãos”, disse Priscila Cruz, presidente do Movimento Todos pela Educação.

A deputada Tabata Amaral (PDT-SP), que pediu ao STF o impeachment do ministro, ao lado de outros parlamentares, afirmou que “não faltam provas de que o ministro é incompetente e inábil, e que só tem prejudicado a educação brasileira com sua falta de liderança e gestão”.

“O atual ministro representa aquilo que há de pior, mais intolerante, autoritário e ignorante no governo Bolsonaro”, escreveu a deputada em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo. (*) Yahoo

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