aucélio-gusmão-unimedAucélio Melo de Gusmão, 68 anos, nasceu em Alagoa Grande, na Região do Brejo paraibano, a 24 de março de 1945. Estudante de Medicina, participou ativamente do movimento estudantil, quando foi presidente do diretório acadêmico, em 1968. Especializou-se em Anestesiologia em Brasília, retornando à Paraíba em 1976 e tornando-se cooperado da Unimed, onde ocupou assento no Conselho Fiscal. Exerceu os cargos de superintendente da Unimed João Pessoa e de conselheiro de Administração da Unimed do Brasil. Derrotado na última eleição para presidente da Unimed-JP, em 2012, ele diz lamentar as ondas de críticas contra a atual direção da Unimed pessoense, lembrando que os transplantes de coração, fígado e rim não mais acontecem na instituição. “Tenho ouvido queixas de pessoas ou veiculações da mídia”. Ele ainda ressalta: “Os diferentes segmentos da cooperativa – médicos, clientes, funcionários, hospitais e clínicas – começam a demonstrar certa inquietação com os encaminhamentos e resultados”. A seguir, a entrevista:
- O senhor passou 18 anos de sua vida profissional fazendo parte da diretoria da Unimed-JP. O que isso representa para o senhor?
- Acumulei conhecimento, vivência e maturidade. Tenho para mim que quem assume o compromisso de dirigir uma organização precisa se preparar, se dedicar e oferecer o melhor possível no encaminhamento de uma gestão. Como homem, cidadão e associativista, muito cresci. Destaco o caráter humanístico que deve se fazer presente, por tratar-se de uma empresa de pessoas – médicos e clientes – que precisam ser ouvidas e terem satisfeitas suas expectativas, condição de permanência.
- Em março do ano que vem, a atual diretoria vai completar dois anos de gestão, que tem um mandato de quatro anos. O senhor pretende voltar a disputar a presidência da Unimed?
- A atual diretoria ainda não completou metade de seu mandato. Estatutariamente, podem, inclusive, pleitear reeleição. Os diferentes segmentos da cooperativa – médicos, clientes, funcionários, hospitais e clínicas – começam a demonstrar certa inquietação com os encaminhamentos e resultados. Se eu pretendo voltar a disputar a presidência? Diria que ninguém é candidato de si mesmo. Acredito que será oportunamente estabelecido um debate sadio, entre os cooperados, do qual deveram surgir nomes.
- Aliás, o que faltou na última eleição para o senhor permanecer à frente da instituição? O senhor se sentiu traído?
- Como disse certa ocasião o grande Alcides Carneiro, quando de um insucesso eleitoral que lhe aconteceu: “Faltou voto”. Possivelmente meus contendores devem ter prometido aquilo que não podíamos prometer. Traição é algo muito forte e o processo é absolutamente democrático, garante a livre escolha, é legítimo. Tanto que a atitude de votar ou não votar em mim foi uma decisão de cada um. Hoje, acredito seja possível – conscientemente – avaliar se acertou ou errou.
- Atualmente, a Unimed tem passado por algumas críticas, como a falta de vagas e superlotação do seu hospital e até mesmo número insuficiente de enfermeiros, sendo inclusive alvo de fiscalização do Coren e do MPPB. O que o senhor acha disso?
- Sendo verdadeiro, lamento muito. Sei que os transplantes de coração, fígado e rim não mais aconteceram. No que concerne à questão gerencial, tenho ouvido queixas de pessoas ou veiculações da mídia. Contudo, não tenho acompanhado os detalhes de eventuais fiscalizações, não foram trazidas para o seio dos cooperados.
- Além de ter tido assento no Conselho Fiscal da Unimed, ter exercido os cargos de superintendente e de conselheiro de Administração da Unimed do Brasil; presidente da Unimed João Pessoa, da Federação da Paraíba e diretor e Marketing e Desenvolvimento da Unimed do Brasil, o senhor também foi fundador da Associação dos Anestesiologistas da Paraíba. Fale um pouco da sua experiência.
- Fui trazido para o Cooperativismo Médico Unimed por Alberto Urquiza Wanderley. O qual trouxe o sistema para João Pessoa e fundou também as 27 primeiras Unimeds no Norte e Nordeste, inclusive todas das capitais das duas regiões. Naquela época exercia intensamente a anestesiologia, tendo ocupado todos os cargos diretivos no extinto Serviço de Anestesia da Paraíba; e fui o fundador e primeiro presidente da Cooperativa de Anestesiologia do Estado da Paraíba (Coopanest). No cooperativismo Unimed fui dirigente nos três graus. No primeiro grau, Unimed Singular – Unimed João Pessoa – vice-presidente e presidente. No segundo grau, superintendente das Unimeds do Norte/Nordeste e presidente da Federação das Unimeds do Estado da Paraíba. No terceiro grau, diretor de Marketing e Desenvolvimento da Confederação Nacional das Unimeds, a decantada Unimed Brasil, no mandato de quatro anos. Ressalte-se que todos os cargos que ocupei foram via eleição. Devo dizer, contudo, que continuo com um “eu” não exaltado, com a humildade do menino de engenho de Alagoa Grande.
- O senhor continua fazendo palestras sobre temas ligados ao marketing e gestão?
- Continuo. Tenho o prazer e uma consciência firmada de que tudo aquilo que se aprende deve ser repassado, difundido, para que alcance o maior número de pessoas. Mantenho também coluna semanal em inúmeros sites e em um periódico desta cidade, além de coluna nas revistas de várias Unimeds.
- O senhor tem dois livros publicados, ‘O Tempo e a Vida’, de 2007, e ‘Leituras do Meu Tempo’, de 2010. Tem alguma novidade nessa área?
- Sim. Possivelmente no primeiro semestre do próximo ano que vem estaremos lançando outro livro. Faço por prazer, gosto de ler e escrever, assim me ensinou meu saudoso pai Morise Gusmão.