Bruno Covas, prefeito de São Paulo, morre em decorrência de um câncer

Aos 41 anos, morre Bruno Covas, prefeito de São Paulo. Tucano foi diagnosticado com câncer na cárdia em 2019 e deixa um filho de 15 anos. Ricardo Nunes, vice do tucano, assumirá a gestão da capital paulista. 

Foto: Agência Brasil / EBC. 
Morreu neste domingo (16), aos 41 anos, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), em decorrência de um câncer na cárdia, que fica na transição entre estômago e esôfago, diagnosticado em 2019. O anúncio do óbito foi feito por sua equipe médica. Covas deixa um filho, de 15 anos.

No dia 3 de maio, Covas foi transferido para a UTI do Hospital Sírio-Libanês, onde estava internado, após um sangramento no estômago. O prefeito de São Paulo também havia sido diagnosticado com metástase óssea do câncer. 

Em 21 de abril, feriado de Tiradentes, Covas apresentou uma piora no quadro de saúde e foi internado no Hospital Sírio Libanês com líquido nos pulmões e no abdômen. Dias depois, recebeu alta e comemorou nas redes sociais. 

O prefeito também começou a receber alimentação parenteral (por meio de uma sonda) durante as madrugadas, enquanto dormia, para auxiliar no ganho de peso — a complementação nutricional visava especialmente prepará-lo para o novo tratamento.

Ainda de acordo com a equipe médica, Covas respondia bem ao tratamento, mas permaneceria no hospital, ainda que restrito e sem exposição pública. 

No dia 15, a equipe médica do hospital havia localizado novos focos de tumores nos ossos e no fígado do prefeito.

Carreira política dedicada ao PSDB

Bruno Covas Lopes nasceu em Santos, no litoral de São Paulo e se mudou para a capital paulista em 1995, onde cursou direito na USP e economia na PUC-SP. 

Foi eleito vice-prefeito de São Paulo em 2016, assumindo a gestão em 2018, com a saída do então prefeito João Doria (PSDB), hoje governador de São Paulo.

Mas a vida política para Covas começou bem antes do comando da prefeitura da capital paulista. Aos 17 anos de idade, em 1997, ele filiou-se ao PSDB, partido pelo qual se dedicou durante toda a vida pública.

Tinha grande influência do avô Mario Covas, ex-governardor de São Paulo, afastado do cargo por um câncer e morto em 2001.

Aos 23, no ano de 2003, Covas já havia assumido a presidência estadual da Juventude do partido. Em 2004, foi candidato a vice-prefeito de Santos. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual e foi reeleito em 2010 com a maior votação do estado, à época.

No mesmo período, tornou-se presidente nacional da Juventude do PSDB. 

No ano seguinte, em 2011, assumiu a Secretaria do Meio Ambiente do governo do estado de São Paulo, à frente da qual permanece até 2014, ano em que foi eleito deputado federal. 

Reeleição em São Paulo

Em 2020, Bruno Covas foi reeleito prefeito de São Paulo com 59,38% dos votos válidos, derrotando o candidato Guilherme Boulos (PSOL). Em meio ao tratamento do câncer, ele tomou posse em 1º de janeiro de 2021, tendo como vice o vereador Ricardo Nunes (MDB).

O vice-prefeito, que agora assumirá o cargo com a morte de Covas, fez poucas aparições durante a campanha. Vereador pelo MDB, Nunes possui suspeitas que pesam contra ele como suas relações com as creches conveniadas e o registro de violência doméstica feito em 2011 pela esposa de Nunes

Covas foi reeleito com amplo leque de alianças políticas, formando coligação que engloba onze partidos (PSDB, MDB, PP, Podemos, PSC, PL, Cidadania, DEM, PTC, PV e PROS).

Internado pela primeira vez em 2019

O prefeito da capital foi internado pela primeira vez em outubro de 2019, quando chegou ao hospital com erisipela (infecção), que evoluiu para trombose venosa profunda (coágulos) na perna direita. Os coágulos subiram para o pulmão, causando o que é chamado de embolia.

Durante os exames para localizar os coágulos, médicos detectaram o câncer na cárdia, região entre o esôfago e o estômago, com metástase no fígado e nos linfonodos.

Covas passou por oito sessões de quimioterapia que fizeram com que o tumor regredisse. Mas, segundo a equipe médica, não foram suficientes para vencer o câncer. Após novos exames, o prefeito iniciou o tratamento com imunoterapia.

Em janeiro de 2021, após ser reeleito nas eleições municipais e continuar no cargo, Covas anunciou uma nova fase de procedimentos no combate à doença.

Ele tirou uma licença de 10 dias, quando passou a ser submetido a sessões de radioterapia. Na época, estavam previstas 24 sessões de radioterapia complementares para o tratamento.

Lesões no fígado e nos gânglios linfáticos

Além do tumor na transição entre o esôfago e o estômago, Covas possuia pequenas lesões no fígado e nos gânglios linfáticos. Isso se deve a um processo denominado metástase, que se caracteriza pela migração de células do tumor para outras partes do corpo.

Em 2019, de acordo com os médicos da equipe que cuidou do prefeito, a doença foi traiçoeira, porque não havia sintoma no local. (*) Yahoo



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