Camila pede sensibilidade na formatação do plano de retomada da economia em relação às mulheres

A deputada estadual Camila Toscano (PSDB). Foto: Divulgação / Ascom. 
DESIGUALDADE - 
A deputada estadual e presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Camila Toscano (PSDB), pediu a sensibilidade do Governo do Estado e prefeituras em relação às mulheres trabalhadoras na hora da elaboração das estratégias para a retomada da economia. Ela destaca, que as escolas e creches podem só ser reabertas após abertura de outros comércios e muitas trabalhadoras não têm onde deixar os filhos.

A Organização Internacional do Trabalho aponta que 64% das mulheres trabalham fora de casa. Na Paraíba, 42,4% no total de famílias no estado, o que representa 566.941 famílias, são chefiada por mulheres. Os dados fazem parte estudo ‘Mulheres chefes de família no Brasil: avanços e desafios’ coordenado pela Escola Nacional de Seguros. Em dados nacionais, a pesquisa mostra que 28,9 milhões de famílias são comandadas por mulheres.
“Precisamos ter um olhar diferenciado para as mulheres nesse retorno ao trabalho. As mulheres possuem jornadas triplas de trabalho e nesse período de home oficie, muitas estão sobrecarregadas, trabalhando, cuidando da casa e dos filhos, sem uma divisão justa das atribuições. Então, precisamos tratar os diferentes de forma diferente para que tenhamos equidade”, disse Camila.

A tucana lembra que as medidas de contenção do novo coronavírus, como a suspensão de aulas e a exigência de que famílias fiquem em casa, têm deixado muitas mulheres ainda mais sobrecarregadas. Segundo dados divulgados em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mulheres dedicam em média 18,5 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, na comparação com 10,3 horas semanais gastas nessas atividades pelos homens. Números que aumentaram com a pandemia e o isolamento social.
Na Paraíba, o levantamento indica que as mulheres que trabalhavam fora de casa dedicaram cerca de 22,4 horas semanais às atividades domésticas e ao cuidado de pessoas, enquanto a média dos homens foi de 11,5 horas. A diferença de 10,9 horas entre os grupos foi maior que a observada nacionalmente, cujo número é de 8,1 horas.

No caso das pessoas não ocupadas, a diferença entre os grupos foi maior ainda, uma vez que mulheres destinaram semanalmente 26,6 horas e homens na mesma condição passam menos da metade desse tempo, 12,1 horas dedicadas para afazeres domésticos.
No estado, essas atividades eram desempenhadas, em casa ou em domicílio de parente, por 91,3% das mulheres e 75,3% dos homens. Ao comparar os grupos feminino e masculino, tendo em vista a condição da pessoa na família, a maior desigualdade na taxa de realização dessas tarefas foi constatada na categoria “cônjuge ou companheiro”, com uma diferença de 26,4 pontos percentuais.

“É preciso que a elaboração do plano de retomada pense nas mulheres, principalmente as mães que mesmo com o retorno do trabalho, não terão com quem deixar seus filhos já que as aulas estão suspensas e devem ser uma das últimas atividades a voltar à normalidade. Não podemos montar um plano sem essa observação importante para muitas mulheres que tem redobrado a carga horária de atividades durante essa pandemia”, alertou Camila.

Violência doméstica – Camila lembrou ainda que deve ser observado outro pondo na dimensão da desigualdade de gênero enfrentada pelas mulheres dentro de suas casas, a violência. É no ambiente doméstico que as mulheres correm maior risco e o período mais longo passado dentro de casa com outros membros da família aumenta a exposição. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma a cada três mulheres no mundo sofrem violência física ou sexual, na maioria das vezes perpetrada por um parceiro íntimo. (*) Ascom
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