Jurista afirma que testemunhas comprovam abuso eleitoral do ‘Empreender’

Para Harrison Targino, as justificativas servem apenas para minimizar a imagem do governador diante da opinião pública. 

O jurista Harrison Targino avaliou as justificativas apresentadas por deputados estaduais que compõem a base do governador Ricardo Coutinho (PSB) para as principais irregularidades apontadas no programa ‘Empreender’.

Para Targino, as justificativas servem apenas para minimizar a imagem do governador diante da opinião pública tendo em vista que as provas documentais e depoimentos, principalmente de beneficiários do programa em cidades do interior, comprovam uso eleitoral do programa: “Os documentos e as testemunhas só reforçam o fato de que o Empreender foi gerido sem cuidados, o Tribunal de Contas e a Controladoria Geral do Estado detectaram que o Empreender foi realizado sem seguir as normas próprias do programa com concessões de empréstimos sem seguir a metodologia própria e tudo leva a crer que o Empreender foi efetivamente moeda de troca política para angariar simpatia e isso a Legislação Eleitoral não permite e a Justiça Eleitoral irá punir no tempo certo”, defendeu.

O jurista listou os dados financeiros do ‘Empreender’ e viu crescimentos nos anos de eleições municipais e estaduais. Em 2011 o programa concedeu empréstimos na ordem de R$  5.012.807,86. No ano das eleições de prefeito e vereadores, o programa aumentou para R$ 18.161.210,56. Em 2013 a quantia caiu para R$ 16.507.869,3, e no ano da reeleição do governador a cifra foi para os R$ 30.000.000,00.

Harrison destacou parecer do Ministério Público sobre a relação do programa com o movimento eleitoral: “O ritmo de concessões do Empreender está ligada ao movimento político partidário de eleições. O que caracteriza na visão do Ministério Público Federal e da Coligação ‘A Vontade do Povo’ claros indícios do abuso de poder político e utilização da máquina pública em favor da campanha do então candidato a reeleição, o governador Ricardo Coutinho”, sustentou.

O advogado criticou as justificativas usadas para irregularidades como a concessão do benefício a um menor de idade. Após deputados dizerem que o jovem teria emancipação, Harrison disse que as datas não batem no processo: “Neste caso estranhamente é concedido a um jovem não maior um incentivo para o empreendedorismo que faltou a tantos outros e depois se busca justificar que fora emancipado. As datas parecem não bater em relação ao que se alega e própria defesa não foi aceita pelo Tribunal de Contas nem pela própria CGE. Se somarmos isso a empréstimos dados a parentes vinculados a governos, gestores, concessões de empréstimos dados por indicações políticas no interior, a situação piora”.

As provas testemunhais, conforme o jurista, são mais uma comprovação do uso ilícito do ‘Empreender’: “O Ministério Público fez uma série de depoimentos no interior e as pessoas reconhecem que receberam verbas do Empreender mesmo sem a consolidação de um projeto técnico adequado, enfim, não podemos fugir da constatação que o Empreender mal utiliza recursos públicos e necessita de intervenção”, alertou Targino.

O advogado enfatizou que o programa é público e é crime desviar seu propósito em benefício pessoal: “É preciso se lembrar que o Empreender não é um programa de Zé, Francisco ou mesmo de Ricardo, o Empreender é um programa do Estado, público, e por isso suas concessões devem respeitar as normas técnicas que o regem e isso, nós temos certeza, não foi respeitado”.

CPI na Assembleia

Dentro da premissa do Poder Legislativo, Harrison reafirmou a necessidade de investigações por parte dos deputados: “Os fatos jurídicos que embasam o pedido de CPI do Empreender são fatos jurídicos absolutamente relevantes e graves. Há toda uma comprovação do mal uso de recursos públicos com indícios que levam a Assembleia buscar apurar os fatos”, incentivou. 

A possibilidade de “fraude” ou de “manobra” para impedir a instalação da CPI, para Harrison, indica uma tentativa do Governo do Estado em impedir as apurações de maneira clara: “Por outro lado, parece não convincente a justificativa de instalações prévias de CPIs que nunca antes se ouvira falar. Existem muitas coisas que precisam ser explicadas e acho natural que se busque instalar a CPI e devo até dizer mais, na democracia os governos que não temes devem facilitar a abertura da CPI para demonstrar que não temem. O impedimento da CPI já demonstra um certo temor de enfrentar o grave drama do uso do programa com objetivos político eleitorais”, concluiu. (BlogDoGordinho)

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