Quem paga os maiores salários do mundo dos esportes

A edição 2014 do levantamento feito periodicamente pela Sport Intelligence em parceria com a ESPN apontou o Manchester City como o maior pagador de salários do mundo. Entretanto, no combinado de 5 anos o primeiro posto é do Barcelona, até causando alguma surpresa, pois o Barça passava uma imagem de elenco menos caro, por exemplo, que o do Real Madrid – a diferença entre eles, porém, é muito pequena, como veremos.
 
Esse trabalho da Sport Intelligence abrange um total de 294 times, de 15 diferentes ligas de 7 diferentes esportes: Futebol, Basquete, Futebol Americano, Hóquei (gelo), Críquete, Beisebol e o Aussie Rules ou Futebol Australiano. O valor total pago como remuneração para 8.663 atletas atingiu US$ 16,15 bilhões nesse levantamento.
 
A força financeira do futebol no esporte mundial
 
Algumas ligas e competições expressivas, como a francesa (uma das Big 5) e o Campeonato Brasileiro da Série A, por exemplo, não fazem parte desse trabalho. A liga francesa por ter, realmente, uma importância menor no cenário europeu, especialmente nos anos que antecederam a chegada do dinheiro do Oriente Médio para o Monaco e, principalmente, para o Paris Saint-Germain. Já no caso brasileiro a explicação é simples: ainda hoje, em pleno 2014, a maioria dos nossos clubes não fornecem informações sobre salários do futebol em seus balanços, dificultando sobremaneira trabalhos de análise.
 
 
Considerando o tradicional poderio econômico das ligas americanas, ainda assim o futebol faz bonito (ou feio?) no pagamento de grandes salários. Nessa primeira tabela que lista os Top 12 de 2014, sete equipes vêm do nosso mundo da bola, mais da metade, portanto. Das outras cinco equipes, três são da NBA e duas da MLB – basquete e beisebol, respectivamente.
 
Olhando apenas para o futebol, temos quatro times da Premier League, os dois gigantes d’Espanha, que disputam La Liga, e o Bayern Munique, figurinha cada vez mais presente em qualquer lista de times top que se faça hoje.
 
No primeiro levantamento, em 2010, o New York Yankees liderou, com seus atletas ganhando em média 4,7 milhões de libras, que equivalem a 7,8 milhões de dólares por ano, ou, como é um levantamento feito com base americana, US$ 147,3 mil por semana. Depois disso, entretanto, só deu o futebol, e o primeiro posto foi ocupado pelo Barcelona em 2011, que repetiu a dose em 2012. Já em 2013 a liderança passou para o Manchester City, que a manteve em 2014.
 
As ligas e suas médias de salários
 
As próximas tabelas têm as 15 ligas pesquisadas. Em cada uma, são apresentados os valores médios da própria liga e também os valores pagos pelo time mais rico e o menos rico ou mais pobre, seguido pela proporção entre um e outro. Algumas delas valem apenas pela curiosidade, como a AFL – Aussie Football League – ou a IPL – Indian Premier League. Outras, porém, passam algumas informações interessantes, como a frente que o Bayern vem abrindo na tradicionalmente parelha Bundesliga ou a entrada da liga chinesa – CSL – e da liga americana – MLS.
 

 
Quando consideramos média de pagamentos por liga, a NBA lidera, o que é perfeitamente
razoável, dado o tamanho do mercado americano. Seus atletas têm um salário anual médio de US$ 4,5 milhões, contra, por exemplo, US$ 3,5 milhões dos jogadores da EPL – English Premier League. Ajuda a explicar essa diferença a proporção entre a maior e a menor média salarial dos clubes de cada liga. Enquanto a média do Brooklyn Nets é apenas 2,4 vezes maior que a do Philadelphia 76ers, a média do Manchester City é 4,6 vezes maior que a do Wigan, na EPL - English Premier League.
 
Números para o Financial Fair Play da UEFA
 
A tabela que segue mais abaixo mostra os vinte times que foram os maiores pagadores de salários no período 2010 a 2014 (portanto, considerando as temporadas 2009 a 2013). Essa tabela mostra a média salarial de cada ano, seguida por duas informações: uma interessante, que é a soma dos salários médios em 5 anos, e outra que é muito importante, mostrando a evolução entre o valor médio pago na temporada 2009 e o valor médio da temporada 2013.
 
Considerando os líderes de pagamento na atual pesquisa, que tem 2013 por base – o New York Yankees em 2010 e o Manchester City em 2014 –, o crescimento nesse período foi pequeno: apenas 3,9%.
 
Quando analisamos a média salarial dos jogadores do City isoladamente, há um pulo fantástico: de US$ 2,2 milhões em 2010 para US$ 8,1 milhões  nessa temporada, o que dá um salário semanal de US$ 156,0 mil. Em termos percentuais, esse crescimento foi de 265%. No Yankees, esse mesmo crescimento foi de apenas 5%.
 
Como?
 
A explicação é simples: esse pulo gigantesco do City deveu-se a maciças injeções de dinheiro de seu proprietário, o Sheik Mansour, e é justamente o tipo de movimento que provoca alterações súbitas e brutais no mercado, destruindo a competitividade por um lado e, por outro, forçando outras equipes a aumentarem terrivelmente seus custos e suas dívidas – o que, a médio e longo prazo redundará em decréscimo da competitividade. Justamente, portanto, o que a UEFA visa coibir com o Financial Fair Play – FFP.
 
Peguemos o Chelsea para uma comparação. Depois de um início bombástico, quando seu proprietário, o bilionário russo Roman Abramovich injetou algumas centenas de milhões de dólares no time, os ventos do FFP assustaram os executivos contratados e estes, por sua vez, conseguiram botar um pouco de bom senso na cabeça de Abramovich (que, dizem também, andou sentindo alguns efeitos do Crash de 2008 em seu bolso, ou melhor, em seus cofres, já que bolso é coisa de pobre, ?). Nesses mesmos cinco anos, a média salarial dos jogadores do Chelsea cresceu apenas 3%, passando de 5,9 para 6,1 milhões de dólares entre 2010 e 2014. Com um detalhe: chegou a 6,8 milhões em 2012 e em dois anos caiu para 6,1.
 
Hoje, pelos rumores que vêm da Europa enquanto a UEFA não divulga o relatório do FFP, o City, ao lado do Paris Saint-Germain, está na alça de mira da comissão reguladora, ao passo que do Chelsea nada mais se fala, exceto que o clube está operando dentro dos níveis de mercado.
 
Tudo isso em termos de dispêndio com salários, pois há, ainda, a já citada questão das dívidas, um capítulo à parte nessa história.
 
É isso, por enquanto. Reconheço que é uma montanha de números, mas eles têm utilidade, ao nos proporcionar uma visão da realidade ou ajudar-nos a entender o que presenciamos. Eles deixam evidente, por exemplo, a queda do Milan, a ascensão da Juventus, as discrepâncias entre os times ricos e pobres de ligas como a Serie A italiana e La Liga espanhola. Mostram, como disse, o distanciamento do Bayern do conjunto dos demais times da Bundesliga. Mostram o profissionalismo das ligas americanas, além das curiosidades como o críquete indiano.
 
Da Redação
com globo esporte

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem