Falta de leitos e dificuldades no trânsito fazem população reclamar do serviço do Samu


Usuários da Região Metropolitana de JP reclamam e serviço culpa hospitais por retenção de maca
Samu
A população da Região Metropolitana de João Pessoa tem reclamado da demora e da recusa de pacientes pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo o coordenador de transportes do órgão, João de Azevedo Lima Júnior, o problema está no número de ambulâncias que é insuficiente (16 veículos) para a demanda atual. Já o coordenador médico do Samu, Márcio Gomes Ferreira, disse que a culpa é dos hospitais que estão retendo as macas por até 24 horas, para usá-las como leitos e acomodar os pacientes socorridos. Ele também disse que o trânsito na cidade dificulta o socorro.
“Se eu dissesse que é suficiente estaria mentindo”, afirmou João de Azevedo, se referindo à frota. Segundo ele, o Samu atende até 300 ocorrências diárias na Capital, Cabedelo, Conde, Bayeux e Santa Rita. Já Márcio Gomes disse que o Samu ampliou seu quadro, pois teria começado com dois médicos e cinco viaturas, tendo hoje 14 médicos e a mesma frota descrita por João. “Nós acompanhamos o aumento da população. O que não acompanhou foi a oferta de portas de hospitais para receber as vítimas”, afirmou.
Entre as reclamações há relatos até de morte de paciente. A técnica de enfermagem, Fabiana Lucena, contou que a sogra foi levada para um hospital em Tibiri, há dois anos. Lá foi constatado que, devido à gravidade do caso, ela precisaria ser transferida para um hospital com mais recursos, em Mangabeira. A transferência teria que ser feita em uma unidade de suporte avançado do Samu, mas sempre que a ambulância se encaminhava para fazer a transferência, algum chamado urgente era recebido. No dia seguinte, a sogra de Fabiana morreu. Márcio Gomes confirmou que as transferências de paciente sempre perdem prioridade para casos urgentes.
Na tarde da última quarta-feira um homem com suspeita de AVC esperou por atendimento durante 50 minutos, próximo ao Sistema Correio. O homem só foi socorrido porque uma equipe do Corpo de Bombeiros interviu. “Resolveríamos nossos atendimentos de forma mais rápida se os hospitais não segurassem nossas macas, porque não internamos pacientes, apenas socorremos”, afirmou o diretor médico do Samu.

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem